Chávez diz que integração precisa de um "viagra político"

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, conseguiu mais uma vez irritar seu companheiro Luiz Inácio Lula da Silva ao quase pôr a perder o projeto do brasileiro para a integração da América do Sul. Ao final da 2ª Reunião de Cúpula da Comunidade Sul-americana de Nações (Casa), Chávez declarou que a integração precisava de um "viagra político" e teimou para que seus colegas concordassem em "enterrar" o Mercosul e a Comunidade Andina (CAN). Por fim, ameaçou não assinar o documento final do encontro, a Declaração de Cochabamba, sob o pretexto de que criaria uma estrutura frouxa para a Casa - sigla que, para ele, "não significa nada".Depois de cerca de quatro horas de debates, Chávez queria continuar a discussão, enquanto Lula tinha pressa em embarcar para São Paulo. O brasileiro conseguiu abortar o pleito do venezuelano, ao propor que os debates sobre a estrutura da Comunidade sejam retomados no dia 18 de janeiro, na véspera das sessões de trabalho da Reunião de Cúpula do Mercosul, no Rio de Janeiro. Mas Lula não deixou Chávez sem resposta."A CAN não existe, nem tampouco o Mercosul. Mesmo que a convergência entre esses blocos fosse possível, seria a convergência de duas maquinas que servem para nada. Enterremos os nossos mortos, irmãos! Precisamos de um viagra político para essa integração", bradou Chávez."O fato de querermos mais, em termos de integração, não nos obriga a negar os avanços que já conseguimos obter. É natural mostrarmos indignação com a demora (do processo de integração). Mas não aceito a negação do que estamos fazendo (com o Mercosul). Temos de sair dessa reunião apresentando uma cara política da integração", rebateu Lula.

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