Chávez diz que não mudará sua política

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, jurou neste sábado que não mudará o rumo de seu governo, apesar dos apelos de grupos econômicos e políticos para que retifique sua política "revolucionária".Falando em ato público na cidade litorânea de Coro, no noroeste da Venezuela, Chávez afirmou: "Nunca vou render-me neste caminho, porque (é preciso dar) ao povo o que é do povo."Assinalou que manterá intactos seus programas, pois eles se encaixam perfeitamente nos dispositivos da nova Constituição, que o próprio Chávez promoveu em 1999, e concretizam as metas de "igualdade" e "justiça" de seu governo."Agora, mais do que nunca, estamos apreendendo o significado da revolução", disse. "Agora, a revolução é vista de modo concreto."Chávez fez a afirmação em resposta à greve dos setores produtivos convocada para o próximo dia 10 pela entidade de cúpula dos empresários, a Fedecámaras, em protesto contra um pacote de 49 leis aprovado pelo governo.Também foi uma resposta à exortação dos empresários para que o Executivo corrija sua política econômica.O presidente assinalou que os empresários é que deviam "retificar" seus atos e lamentou a convocação da greve, chamando-a de "irracional".E voltou a desmentir notícias sobre tentativa de golpe contra seu governo por setores que aproveitariam a greve nacional e o suposto descontentamento nas Forças Armadas."Um golpe (militar) em Chávez? É preciso ver onde, quando, como e com quem", comentou o presidente, depois de exortar seus opositores a "deixarem de ilusões" se pretendem romper a ordem constitucional na Venezuela. "O povo e as Forças Armadas estão com a Constituição e a revolução."Chávez reiterou que não alterará o pacote de leis, aprovado por um poder especial "habilitante" concedido pelo Congresso, ao afirmar a necessidade de reordenar a terra, impulsionar a indústria petrolífera local e incentivar a ajuda às classes pobres do país.No pacote de leis figuram as polêmicas Lei de Terras, Lei de Hidrocarbonetos e Lei de Pesca, criticadas pelos empresários por causa de seu marcante tom "estatizante" e "intervencionista".Prevê-se para o protesto do próximo dia 10 a participação de um milhão de estabelecimentos comerciais de todo o país, dos setores agropecuário, médico e hoteleiro, dos meios de comunicação, das finanças e dos bancos, segundo fontes empresariais.

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