Chávez diz que não renuncia nem antecipa eleição

O presidente da Venezuela, HugoChávez, incorporou-se hoje a uma passeata de centenas demilhares de partidários pelas ruas de Caracas e garantiu que nãorenunciará nem antecipará as eleições. Chávez desafiou oslíderes oposicionistas a convocarem a greve geral programadapara o dia 21 e, demonstrando não temer nova tentativa de golpe,confirmou a viagem de amanhã para a França, dando início aum giro por alguns países da Europa. Na quinta-feira, uma marcha contra Chávez, na capitalvenezuelana, reuniu 1 milhão de pessoas e os organizadores(líderes sindicais e empresariais e alguns partidos políticos)deram um ultimato ao presidente: ou renuncia ou convoca eleiçõesde imediato, caso contrário promoverão a greve geral. Opresidente disse que a manifestação de seus partidários reuniu 2milhões de pessoas, o que não pôde ser confirmado por fontesindependentes. Chávez rejeitou a pressão oposicionista e disse que sóaceitará convocar um referendo sobre sua permanência no poder nametade de seu mandato, em agosto de 2003, como prevê aConstituição. Dias antes da passeata da oposição, ele anunciouque os serviços de inteligência do governo haviam desmanteladoum complô de oposicionistas para dar um golpe de Estado. "Os que pretendem, por trás dos chamados desesperadospor eleições já, esconder um golpe de Estado e envolver-se emuma luta política, façam-no, mas nós os barrarermos. É melhorque não se atrevam", declarou Chávez aos jornalistas logodepois de unir-se aos manifestantes, já no fim da caminhadapelas ruas de Caracas. "Esta marcha é uma resposta aosgolpistas." A passeata seguiu um trajeto de 16 quilômetros desde osul até o centro da cidade. "Não se foi e não se vai","Ninguém tira ele daí", diziam alguns dos cartazes doschavistas. O ambiente é tenso na Venezuela, dominado por rumorescontínuos de golpe. Na quinta-feira, o terceiro oficial emimportância no comando militar, vice-almirante Alvaro MartínFossa, denunciou irregularidades nos processos abertos contramais de uma dezena de altos oficiais dissidentes. Há fortedescontentamento nas Forças Armadas. Em abril, um grupo demilitares de alta patente, com apoio de políticos e empresários,tentou, sem sucesso, derrubar Chávez.

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