Chávez diz que rei espanhol tem de desculpar-se

Presidente venezuelano quer que Juan Carlos se retrate; pesquisa mostra vitória do ?Não? no referendo

Caracas, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, afirmou ontem que o rei Juan Carlos, da Espanha, deve desculpar-se por lhe ter insultado durante a 17ª Cúpula Ibero-Americana em Santiago, no Chile. Na ocasião, o rei mandou que o líder venezuelano se calasse. "Como chefe de Estado, o mínimo que espero é que o rei da Espanha, que não é rei da América Latina, tenha algum tipo de desculpas a oferecer por ter me agredido", disse Chávez ao canal estatal venezuelano VTV. "O rei teve sorte, porque, se eu tivesse ouvido o que ele falou, teria lançado uma flechada, porque sou um índio, um pouco negro e branco."A menos de três semanas do referendo do dia 2 sobre a reforma constitucional proposta por Chávez, duas pesquisas mostraram que dois terços dos venezuelanos são contra as mudanças. No entanto, apesar do crescimento dos opositores, os institutos de pesquisas - que são considerados pouco confiáveis na Venezuela - prevêem que Chávez deve vencer por causa da baixa participação de opositores na votação e da fragmentação que existe entre eles. Caso o índice de abstenção no referendo seja superior a 25%, a reforma constitucional tem ainda mais chances de ser aprovada. A avaliação é da diretora-executiva do Instituto Venezuelano de Estudos Sociais e Políticos (Invesp), Francine Jácome. Caso as mudanças na lei venezuelana sejam aprovadas, Francine acredita que seu país caminhará para um regime autoritário. "Na medida em que haja uma abstenção de mais de 25%, é muito provável que a reforma seja aprovada, que o presidente obtenha o sim", analisa Francine. Segundo ela, se o índice de abstenção ficar em torno de 20% "é possível" que a reforma seja rejeitada. "Isso tem muito a ver com a divisão que há dentro da oposição venezuelana, entre os que vão votar não e os que vão se abster. Essa abstenção vai ajudar o governo", disse Francine durante a 4ª Conferência do Forte de Copacabana: Segurança Internacional, um diálogo Europa-América do Sul, realizado ontem no Rio. Para Francine, o referendo está sendo realizado num momento em que a população não conhece as mudanças que a reforma de Chávez pretende aplicar. Segundo ela, as últimas pesquisas sobre o referendo indicam que entre 60% e 70% das pessoas disseram que não conhecem o conteúdo da reforma. Em Brasília, o elogio de Lula "à democracia chavista" voltou a causar manifestações ontem no Senado, apesar do baixo quorum. O presidente da Comissão de Relações Exteriores, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), afirmou que Lula "se precipitou" ao defender Chávez na polêmica com Juan Carlos. "O silêncio do Lula seria a melhor opção", disse Herácilto. "Democracia pressupõe instituições fortes, liberdade de imprensa. Esses elementos existem na Venezuela? Eu não consigo enxergar", criticou o senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).ALBERTO KOMATSU, ANA PAULA SCINOCCA,AP E REUTERS

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