Chávez diz que respeitará decisões sobre referendo

O presidente venezuelano Hugo Chávez garantiu, durante a prestação de contas de sua gestão em 2003 na Assembléia Nacional (Congresso), que respeitará toda e qualquer decisão do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) sobre o referendo revogatório de seu mandato, uma das exigências da oposição que quer tirá-lo do poder há mais de um ano."Como presidente da República, como chefe de Estado e como cidadão, garanto, ao senhor e ao poder eleitoral, que meu governo, que todos os fatores políticos que me apoiam e que todo o povo venezuelano que também me apoia respeitarão a decisão que o senhor, soberano árbitro, tomará nos próximos dias ou nas próximas semanas, qualquer que venha a ser essa decisão", disse Chávez, ao se dirigir ao presidente do CNE, Francisco Carrasquero.Nesta semana, o CNE iniciou uma espécie de contagem regressiva de 30 dias para checar as mais de 3 milhões de assinaturas, que, de acordo com a oposição, apóiam a realização de um referendo que pode ainda ser realizado no segundo trimestre deste ano. O CNE precisa anunciar em meados de fevereiro se as assinaturas cumprem com os requisitos legais para realizar o referendo revogatório para o qual são necessários pelo menos 2,4 milhões ou 20% do colégio eleitoral venezuelano."Essa é grande responsabilidade que em suas mãos descansa, ante um país e ante um povo", afirmou o presidente, dirigindo-se ainda ao presidente do CNE. "Confiamos plenamente no CNE e confiamos na decisão que vai tomar. A respeitaremos e agiremos conforme essa decisão." O presidente afirmou também que espera a mesma atitude da oposição, caso o CNE mostre a inviabilidade do referendo. Chávez foi eleito em 1998 e reeleito em 2000 para um mandato de seis anos. Mas a Constituição do país prevê um referendo revogatório na metade do mandato caso os venezuelanos se mostrem insatisfeitos com o desempenho do presidente.Ainda durante a prestação de contas aos congressistas, Chávez fez duras críticas aos Estados Unidos e ao México, que, nas últimas semanas, vêm expressando apoio ao referendo e exigindo de Chávez respeito à democracia. "Não será o presidente do México (Vicente Fox), nem o presidente (George W.) Bush, nem a OEA os que vão garantir a integridade do referendo revogatório na Venezuela. Não, isso não. Aqui existem instituições e este é um país soberano, onde há um árbitro eleitoral", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.