Chávez diz que seu governo terá participação em direção de canal opositor

Presidente da Venezuela disse esperar assumir controle de quase metade das ações da emissora.

Claudia Jardim, BBC

20 de julho de 2010 | 19h51

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou nesta terça-feira que seu governo terá um representante na principal emissora de TV de oposição no país, podendo assumir até quase a metade das ações do canal.

A medida é fruto da intervenção do governo, há pouco mais de um mês, no Banco Federal, de propriedade do banqueiro Nelson Mezerhane, um dos principais acionistas do canal de TV oposicionista Globovisión.

Com a intervenção no banco, que segundo as autoridades venezuelanas apresentou problemas de liquidez e não podia garantir os depósitos de seus clientes, o governo passou a ser o dono das ações de Mezerhane também na Globovisión.

"(Nelson) Mezerhane tem uma empresa que foi confiscada, que tem 20% das ações da Globovisión, e outra empresa que tem 5,8% (...). Nos próximos dias, a junta de intervenção do Banco Federal está obrigada a designar um representante para a junta diretiva da Globovisión", afirmou Chávez, em um ato público com policiais, em Caracas.

"Com 25,8%, isso dá o direito (ao governo) a nomear um representante", acrescentou.

"Não estamos expropriando, estamos nos incorporando ao negócio", afirmou o presidente venezuelano.

Ações

Chávez explicou ainda que o governo poderá recuperar outros 20% das ações do canal que, segundo ele, foram outorgadas pelo Estado a um diretor da emissora que já faleceu. Com a medida, o governo poderá obter quase a metade das ações do principal canal opositor do país.

"Segundo a lei, essas concessões não são hereditárias", disse. "Somamos 28,5% mais 20%, são 48,5%, compadre, 48,5% da Globovisión", afirmou Chávez.

A disputa entre o governo e a Globovisión, que se arrasta desde abril de 2002, quando o canal foi acusado de participar do fracassado golpe de Estado contra Chávez, ganhou força neste ano, quando o Ministério Público venezuelano emitiu uma ordem de proibição de saída do país a Guillermo Zuloága, presidente e principal acionista da Globovisión, que está foragido.

O empresário é acusado pelo MP por "usura" e por "estocar" carros em sua residência para, em seguida, revendê-los com preços mais altos.

Chávez indicou ainda que dois apresentadores do canal estatal venezuelano podem ser os novos integrantes da direção do canal opositor.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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