Chávez e aliados rechaçam declaração de Cúpula

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e seus aliados da América Latina e do Caribe concluíram hoje o encontro da Alternativa Bolivariana para as Américas (ALBA) com condenações à política norte-americana para Cuba e com um rechaço à declaração final da V Cúpula das Américas, que começará na noite de hoje em Trinidad e Tobago. Os países da ALBA - organização formada por Venezuela, Cuba, Bolívia, Paraguai, Equador, Nicarágua, Honduras e Dominica - concordaram em criar uma moeda comum, chamada Sucre, que substituirá o dólar norte-americano nas transações entre as nações que integram o bloco.

AE-AP, Agencia Estado

17 de abril de 2009 | 18h40

Uma fonte diplomática importante, em Port of Spain, disse que se a Venezuela e os países da ALBA não assinarem a declaração da Cúpula das Américas não "acontecerá nada" tanto com a declaração quanto com a cúpula. Chávez organizou a reunião da ALBA antes do encontro em Trinidad e Tobago para que os países do bloco, reunidos antes em Cumaná, cidade venezuelana a 300 quilômetros de Caracas, cheguem à cúpula com uma posição fechada.

A V Cúpula das Américas reunirá os 34 países da Organização dos Estados Americanos (OEA) e será o primeiro encontro dos presidentes da América Latina e do Caribe como o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Chávez aparentemente planeja combater a política externa dos EUA na reunião. Os presidentes dos países da ALBA assinaram um documento no qual rechaçaram a declaração da cúpula, porque ela "exclui injustamente Cuba" e porque não condena o embargo comercial dos EUA à ilha caribenha. Cuba foi expulsa da OEA em 1962.

Crise

Segundo a ALBA, a declaração da V Cúpula das Américas também "não dá respostas à crise econômica mundial, apesar dela constituir o maior desafio que ameaça a humanidade em décadas". Chávez afirmou que a declaração "exclui a Cuba sem justificações, sem fazer menção ao consenso geral que existe na região para condenar o embargo e as tentativas de isolamento, das quais seu povo e governo foram um objeto incessante, de maneira criminosa".

"Nós da ALBA pedimos ao novo governo dos EUA que coloque um fim à nefasta tradição de intervencionismo e agressão que caracterizou vários governos desse país ao longo da história e recrudesceu durante o governo de George W. Bush", disse Chávez. Os integrantes da ALBA também concordaram em criar uma moeda comum apenas para transações comerciais entre os países. "Nasceu o Sucre para nos tirar da ditadura do dólar", afirmou o presidente venezuelano.

Os líderes da ALBA também aprovaram a entrega de uma ajuda financeira de US$ 50 milhões para uma série de projetos que foram paralisados na Nicarágua. Segundo a ALBA, o governo dos EUA congelou as verbas que iriam para os projetos, até que o governo nicaraguense resolva as dúvidas eleitorais de novembro. O dinheiro da ALBA será entregue à Nicarágua "sem imposições obscenas de nenhum tipo, respeitando a soberania", assinalou o documento da organização.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.