Chávez e Capriles usam comícios para mostrar força

Enquanto candidatos atraem milhares em reta final, pesquisas indicam que opositor cresceu e disputa de domingo será apertada

ROBERTO LAMEIRINHAS , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

04 de outubro de 2012 | 03h01

Os dois candidatos à presidência da Venezuela vêm colocando multidões nas ruas das principais cidades do país numa tentativa de mostrar força e, com a proibição da divulgação de pesquisas eleitorais, demonstrar que a vitória é questão de tempo. O presidente Hugo Chávez, em busca da segunda reeleição, percorre desde sábado 10 Estados, numa marcha iniciada em sua cidade natal, Sabaneta, em Barinas, e deve acabar hoje em Caracas.

Seu rival, Henrique Capriles Radonski, faz caminho inverso. Lotou o centro de Caracas, no sábado, e encerra amanhã sua campanha nacional com uma manifestação gigantesca em Barquisimeto, no centro do país. O número de participantes nesses atos são contados na casa das centenas de milhares e as imagens são exibidas em programas propagandísticos na TV.

Diante da multidão que seu candidato reuniu no Estado Portuguesa, na terça-feira, um dos líderes da campanha de Capriles, Leopoldo López, prognosticou uma vitória no domingo com mais de 8 milhões de votos de um universo de 14 milhões de eleitores. "São votos e votos, milhões de votos que chegarão de onde jamais pensávamos", disse.

As pesquisas, que há duas semanas mostravam uma vantagem clara de Chávez, indicaram na semana passada o crescimento da candidatura de Capriles e o comando da oposição busca reforçar as manifestações de rua para sustentar a tese de que já ocorreu uma virada nas intenções de voto. "É preciso ter cuidado com o uso das manifestações populares", declarou ao Estado o diretor do instituto Datanálisis, Luis Vicente León. "Comícios não são pesquisas e estão sujeitos a variantes diferentes dos estudos estatísticos efetuados com base científica."

León ressalta que as pesquisas são um retrato da quantidade de eleitores que tende para cada candidato em um período de tempo específico. "As manifestações de rua são indicadores da motivação dos partidários, da força e da capacidade de organização de cada grupo."

Disputa. "O governo usa seus métodos para lotar os comícios de Chávez, oferecendo ônibus, que transportam pessoas de outros lugares e incentivando os funcionários públicos a comparecer", afirma. "Mas isso não chega a ser uma prática anormal. A oposição também tem boa capacidade de mobilizar seus partidários e tomar as ruas em várias cidades."

O Datanálisis foi dos institutos que chegaram a apontar uma vantagem em torno de 20 pontos porcentuais em favor de Chávez há um mês. Na última sondagem, porém, essa diferença caiu pela metade. Outras pesquisas, mesmo as que ainda apontam para uma reeleição do presidente, registram o crescimento de Capriles. Em sua última pesquisa, o Datanálisis calculou que Capriles teria de conquistar oito em cada dez indecisos para ter condições de reverter a vantagem do presidente venezuelano.

Num estudo que leva em conta as últimas pesquisas divulgadas dentro do prazo legal, o analista Manuel Miranda estima que o momento é de Capriles. "A situação atual é de empate técnico e a eleição será decidida, como numa corrida de cavalos, no photo finish. Ganhará quem conseguir 'virar' mais votos e, nessa condição, não ouso dar vantagem para ninguém." Agências internacionais de análise de riscos apresentam conclusão parecida: uma vitória de Chávez, mas por margem estreitíssima.

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