Chávez é velado no local onde iniciou carreira militar

O corpo do presidente venezuelano Hugo Chávez é velado na academia onde ele deu início à sua carreira militar. O caixão percorreu as ruas de Caracas por sete horas, num trajeto de oito quilômetros.

Agência Estado

07 de março de 2013 | 08h29

A procissão passou por diversos bairros pobres da capital, regiões onde Chávez ganhou visibilidade política. Acompanharam o cortejo todo o governo chavista, incluindo o sucessor ungido por ele, seu vice, Nicolás Maduro. Várias gerações de venezuelanos - muitos deles vestindo roupas vermelhas, a cor do partido socialista de Chávez - preencheram as ruas de Caracas para lembrar o homem que presidiu o país por 14 anos até sucumbir a um câncer na tarde de terça-feira.

Depois do cortejo, o corpo de Chávez chegou à academia militar para o velório. Estiveram presentes a família do presidente, seus conselheiros próximos e líderes de países como Argentina, Bolívia e Uruguai. O público chegava, se aproximava do caixão e muitos faziam homenagens colocando as mãos no coração, outros estendiam o pulso em um gesto de solidariedade. A cena se repetiu ao longo de toda a noite.

O chefe da guarda presencial da Venezuela, General José Ornella, disse à Associated Press na quarta-feira que Chávez morreu de um atraque cardíaco depois de muito sofrimento. "Ele não podia falar, mas ele disse com os seus lábios (...) ´Eu não quero morrer. Por favor, não me deixe morrer´, porque ele amava seu país, ele se sacrificou pelo seu país", afirmou ele.

O silêncio do governo é quase total sobre o rumo que o país vai seguir. Não se sabe ainda local e hora exatos do enterro de Chávez, marcado para sexta-feira. Durante os quase dois anos de luta de Chávez contra a doença, o governo nunca especificou que tipo de câncer ele tinha e nem em que região exata ele estava localizado.

Enquanto isso, opositores já fazem críticas sobre o que vai acontecer com o governo do país após a morte de Chávez, principalmente sobre a nomeação do vice, Maduro, como presidente interino, uma clara violação da Constituição. Criada em 1999, a legislação que estendeu o mandato de Chávez, diz que devem ser convocadas novas eleições em um prazo de 30 dias para escolha de um novo presidente.

Também na Constituição é especificado que presidente da Assembleia Nacional, nesse caso Diosdado Cabello, deve se tornar o presidente interino caso o presidente deixe o cargo até três anos depois de eleito. Chávez foi reeleito em outubro. As informações são da Associated Press.

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