Chávez eleva controle de bancos a 26%

  

, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2010 | 00h00

 

Preocupação. Clientes do Bando Federal fazem fila em agência de Caracas

 

 

   Com a intervenção realizada na segunda-feira no Banco Federal, que pertence ao opositor Nelson Mezerhane, um dos acionistas da emissora de TV de linha opositora Globovisión, o governo do presidente venezuelano, Hugo Chávez, passou a controlar 26% do setor bancário do país. Há dois anos, a participação era de 10,9%.

Há duas semanas, Caracas centralizou a venda de dólares, em uma tentativa de acabar com o mercado negro. Chávez acusa as casas de câmbio de especulação e lavagem de "narcodólares", desvalorizando artificialmente a moeda para desestabilizar seu governo.

As últimas intervenções na economia ocorrem a três meses das eleições legislativas nas quais a oposição voltará a disputar vagas no Congresso, após boicotar a última votação, em 2005. Por isso, as ações contra a Globovisión são consideradas pelos opositores como uma tentativa do presidente Chávez de silenciar a última emissora de TV crítica ao governo.

Mas Chávez insiste em dizer que a imprensa é livre no país e ontem desmentiu que esteja perseguindo Mezerhane ou o dono da Globovisión, Guillermo Zuloaga. "Já repararam o quanto eles falam mal de mim?", questionou ele em um entrevista esta semana à rede britânica BBC. "Na Venezuela, existe liberdade até mesmo para criticar o presidente", afirmou.

Em fevereiro, Alberto Ravell, diretor da emissora, foi afastado do cargo, aumentando os rumores de que a Globovisión seria vendida ou mudaria a sua linha editorial. No mês seguinte, policiais venezuelanos prenderam Zuloaga. Ele foi libertado horas depois. Segundo acusação apresentada, o empresário teria feito pesadas críticas a Chávez durante um seminário da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP), realizado em Aruba.

Na semana passada, a Justiça venezuelana decretou uma nova ordem de prisão contra Zuloaga. De acordo com a Procuradoria da Venezuela, o dono da Globovisión é acusado de "usura" por ter guardado de forma "ilegal" 24 automóveis importados, em 2009, para especulação. Zuloaga, que é dono de concessionárias de carros de luxo, nega a acusação e diz que ela tem motivação política.

Intervenção. O Banco Federal é o oitavo da Venezuela em volume de depósitos. Em 2009, tinha 152 agências e 2.982 empregados, além de cerca de 300 mil clientes. "Depois de um período de testes, decidimos intervir na instituição", disse Humberto Ortega Díaz, ministro para Bancos Públicos da Venezuela, acrescentando que todas as operações serão suspensas e as agências, fechadas.

Os principais motivos da intervenção, segundo o governo, são "a pouca disposição do banco em sanear com recursos próprios seus problemas de liquidez" e o desejo do governo de "proteger as contas dos clientes", disse Egdar Hernández, diretor da Superintendência de Bancos (Sudeban). A intervenção durará 60 dias. Após esse período, o governo decidirá pela reabilitação do banco ou por sua liquidação. Ontem, o presidente do banco mostrou-se "surpreso" com a decisão do governo, atribuindo-a a razões políticas. "O presidente havia anunciado um assalto aos bancos. Hoje, vocês puderam comprovar. Missão cumprida", afirmou Mezerhane.

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