Chávez elogia Lula e FHC em Paris

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, elogiou o candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente Fernando Henrique Cardoso, ao comentar as eleições brasileiras. E o que disse de Lula? Falou muito bem dele, e ainda que "é um amigo". Perguntado, em seguida, sobre Fernando Henrique Cardoso, Chávez rendeu uma homenagem muito forte (e meio surpreendente) ao atual presidente do Brasil. De qualquer maneira, o cenário político que o Brasil vive nesse momento lhe agrada muito. Nela, ele vê "uma mudança", que vai muito além dos homens. Que mudança? Bem, toda a América Latina "foi atravessada por uma corrente de libertação que ninguém jamais conseguirá deter".Chávez demonstrou que tem muito estômago. Uns dias depois das manifestações monstruosas que invadiram Caracas, umas em seu favor, outras contra e, enquanto seus adversários anunciam novas manifestações contra ele no dia 21 de outubro, o presidente inicia placidamente um giro pela Europa, em que a primeira escala é Paris. E dá provas de sangue-frio de tirar o fôlego: após ter sido recebido no Elysée por Jacques Chirac, foi jantar em um pequeno restaurante. Lá, em manga de camisa, tranqüilo e "bem comportado", conversou com alguns jornalistas. Nada em seus gestos nem em sua fala revelou um homem inquieto. Não vê sequer por quê algumas pessoas se espantam que o presidente ameaçado, atacado, sinta de repente o desejo de fazer uma pequena viagem à Europa. "Um golpe de Estado? Imagine! Se alguém fizesse essa besteira enquanto estou viajando, seria imediatamente recriminado pelo povo e pelos militares!" Sua oposição? Chávez repete que ele tem a legimidade democrática, "ao contrário de outros", ou seja, ao contrário daqueles (digamos "um milhão") que se manifestaram contra ele, nos últimos dias, na capital Caracas. Portanto, não vai se desviar da regra constitucional: daqui a nove meses, "se houver condições" - ou seja, na metade de seu mandato -, "haverá um plebiscito pelo qual colocarei em questão minha posição". Mas a animosidade com a qual fala de seus adversários na Venezuela desaparece, como se por um passe de mágica, quando ele aborda as questões internacionais. Por exemplo, seria de se esperar que ele desse alguns pontapés nos Estados Unidos. Ora, nada disso! A Venezuela é um grande fornecedor de petróleo para os Estados Unidos (um milhão e meio de barris por dia). E "vai se manter um fornecedor fiel aos Estados Unidos".

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