Chávez elogia Obama e ensaia reaproximação com EUA

Um dia após completar uma década no poder, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, deu sinais de que deve ser o mais novo desafeto dos Estados Unidos a ensaiar uma aproximação com o novo presidente americano, Barack Obama - países como Cuba, Bolívia, Rússia e Irã já sinalizaram que pretendem dialogar com os EUA. Em uma entrevista exclusiva de 30 minutos à rede CNN em espanhol, o venezuelano afirmou que ?deseja restaurar laços, como nos tempos do governo (Bill) Clinton?, lembrando das relações bilaterais entre Caracas e Washington entre 1999 e 2001.Durante os oito anos em que George W. Bush ocupou a Casa Branca, Chávez por diversas vezes apropriou-se de uma retórica antiamericana, chegando a referir-se a Bush como ?incapaz?, ?ignorante?, ?terrorista? e ?genocida?. O presidente dos EUA foi até mesmo chamado de ?diabo? durante uma sessão da Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em 2006. ?O diabo veio aqui ontem. Ainda cheira a enxofre hoje?, havia dito Chávez.À CNN, o presidente venezuelano afirmou que uma aproximação com os EUA depende exclusivamente das atitudes tomadas por Obama. ?Não aceitamos ser desrespeitados por ninguém?, declarou Chávez, acrescentando que os EUA devem ?manter o respeito? não só com a Venezuela, mas diante de toda a América Latina.O venezuelano disse ainda que apoiará os esforços de Obama para desenvolver fontes renováveis de energia - uma das principais promessas de campanha do democrata, reiterada em seu discurso de posse. Os EUA são o principal cliente do petróleo exportado pela Venezuela. Chávez, porém, afirmou estar descrente quanto à capacidade americana de alterar definitivamente sua matriz energética. ?Não sei como ele (Obama) alcançará o que prometeu?, declarou. Os EUA precisariam de petróleo ?como ar, oxigênio, para sobreviver?. A queda do preço do barril ainda dificultaria a manutenção do ritmo industrial da economia global, avaliou Chávez na entrevista. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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