Chávez encerra campanha como favorito nas pesquisas

Convocados a garantir a reeleição do presidente Hugo Chávez nas eleições de 3 de dezembro, centenas de milhares de pessoas marcharam na capital venezuelana neste domingo, há uma semana do pleito. "Não se trata de ganhar. Quem disse que temos dúvida? O desafio é evitar emboscadas contra-revolucionárias. Temos que ganhar de maneira irrefutável(...) vamos demonstrar ao mundo onde esta o verdadeiro poder do povo?, discursou Chávez diante de milhares de simpatizantes reunidos na Avenida Bolívar, em Caracas, no encerramento de sua campanha eleitoral. Vestidos com camisetas e bonés vermelhos, cantando a consigna ?Uh, ah, Chávez não se vá?, e provenientes de vários estados do país, os manifestantes ocuparam as cinco principais avenidas do centro da capital. Em todas as pesquisas de intenção de voto Chávez aparece como favorito. "Dignidade" ?O povo resgatou sua dignidade neste governo. Votarei por Chávez porque antes não tínhamos atendimento médico. Hoje sim. Meus filhos já não estudavam porque não tínhamos condições. Hoje estão nas missões e até poderão entrar na universidade?, disse à BBC Brasil o camponês Francisco Romero. Integrante da missão ?Vuelvan Caras? - programa de capacitação profissional em técnicas de produção e implementação de cooperativas - Romero viajou quatro horas acompanhado pela família para participar da manifestação. Apostando na reeleição, Romero faz planos para o futuro. ?Depois das eleições teremos que trabalhar duro para aprofundar essa revolução. Há muito o que fazer ainda?, disse. As chamadas ?missões? são os programas sociais de saúde, educação, alimentação, cooperativismo, entre outros, que de acordo com o governo, atendem a 54% da população. ?Povo reeleito? Vestido com sua tradicional camisa vermelha, o candidato à reeleição desfilou em carro aberto e disse que ?o povo será reeleito? no próximo 3 de dezembro. Chávez prometeu acabar com a corrupção e a burocracia em seu próximo mandato. ?O povo é o gigante que despertou. No próximo domingo, quando vocês se reelegerem (...) porque eu sou apenas um servidor de vocês, juro que vou redobrar esforços (...) vamos começar uma nova era revolucionária?, afirmou Chávez. Para o governo, interessa vencer com uma ampla margem de diferença para evitar que a oposição aponte irregularidades no processo eleitoral. Oposição A história recente mostra que os grupos opositores ao governo não confiam em resultados adversos. Em 2004, Chávez foi submetido a um referendo revogatório que poderia interromper seu mandato e saiu vitorioso. A oposição não aceitou os resultados alegando fraude, apesar do processo haver sido aprovado por observadores internacionais, como o Centro Carter e a Organização dos Estados Americanos (OEA). Para evitar outra confrontação, Chávez pretende alcançar a ambiciosa meta de 10 milhões de votos. ? Na hipótese de perder as eleições, reconheceria imediatamente minha derrota. Estão preparando a deslegitimação dos resultados, vão dizer que houve fraude para gerar violência. Estamos convocados a evitar que isso aconteça, vamos votar em paz ?, disse Chávez. Pobres e ricos As eleições do próximo domingo tendem a definir-se pela condição de classe do eleitor. A polarização entre ricos e pobres que marcaram os meses de instabilidade em 2002 - ano do golpe de Estado - ainda se mantém. De acordo com a última pesquisa de intenção de voto encomendada pela agência Associated Press (AP) e realizada pela empresa Ipsos, entre os setores populares Chávez deverá receber o apoio de 70% dos eleitores, enquanto que seu principal opositor Manuel Rosales somaria 16% das intenções de voto. Os números mostram que o presidente venezuelano será reeleito com 32 pontos de vantagem sobre seu principal rival. Segundo a pesquisa, Chávez aparece com 59% das intenções de votos, enquanto Rosales ficaria com 27% da preferência do eleitorado e 13% continuam indecisos. Durante a campanha eleitoral, Hugo Chávez em nenhum momento pronunciou o nome de seu principal adversário, Manuel Rosales. Chávez preferiu manter a confrontação com os EUA, acusando ao candidato opositor de ser o representante norte-americano às eleições. ?Estamos enfrentando o império. Venezuela nunca mais será colônia norte-americana. Não se esqueçam, gringos go home!?, disse Chávez, ao afirmar que derrotará ?o império mais poderoso da terra? no próximo domingo. Observadores internacionais da Organização de Estados Americanos (OEA), da União Européia e do Mercosul acompanharão o processo eleitoral venezuelano. Na Venezuela o mandato presidencial é de seis anos. Na metade do período a população pode convocar um referendo para decidir se o mandatário deve ou não terminar o mandato. Em uma população de 26 milhões de habitantes, 16 milhões estão inscritos no registro eleitoral. Na Venezuela o voto não é obrigatório.

Agencia Estado,

26 Novembro 2006 | 21h33

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