Chávez enfrenta ameaça de calote tributário na Venezuela

O presidente Hugo Chávez, que retornouontem a Caracas depois de ter participado dacerimônia de posse de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência,encontrou a Venezuela não só com a greve (parcial) que já dura33 dias como também com a ameaça de desobediência tributária. Os líderes da greve, iniciada no dia 2 de dezembro do anopassado, estão incitando os venezuelanos a não pagar imposto derenda e o imposto sobre valor agregado, este de 16,5%. O efeitofiscal da desobediência tributária pode chegar a quase US$ 700milhões por mês, de acordo com estimativas dos grevistas. Fontesdo governo venezuelano, no entanto, rebatem essa cifraironizando que, na Venezuela, "ninguém paga imposto", portantoo efeito nas contas do Estado seria quase nulo. "Ninguém vaiaderir a essa proposta", disse. Os grupos de oposição que exigem a renúncia de Chávez e aantecipação de eleições afirmaram também que vão "radicalizar"ainda mais a paralisação a partir da tarde desta sexta-feira,quando será realizada uma nova marcha de três diferentes regiõesda capital venezuelana em direção ao Forte Tiuna, principalbase militar de Caracas e sede do Comando-Geral do Exército."Essa marcha será uma provocação aos militares", disse umafonte do governo. Com risco de algum confronto?, indagou aAgência Estado. "Dependerá até onde vão se aproximar",respondeu. Por isso, a marcha em direção ao Palácio de Miraflores (sededo governo) permanece ainda na ameaça, já que existe um altopotencial de um confronto sangrento entre aos anti-chavistas echavistas, como em abril do ano passado. Essa é uma das razõespelas quais o presidente Hugo Chávez não "mandou" ainda seusseguidores e simpatizantes às ruas de Caracas desde que osgrupos de oposição decidiram entrar em greve. Nesta sexta-feira, Chávez receberá o secretário-geral da Organização de EstadosAmericanos (OEA), César Gaviria, para um almoço no Palácio deMiraflores. Chávez tentará mostrar a Gaviria que a oposiçãocomeça a perder força e as cartas para continuar com aparalisação começam a se esgotar. A saída para a criseinstitucional e política, portanto, seria por meio da mediaçãoque o secretario-geral da OEA vem conduzindo há mais de doismeses. Por outro lado, os trabalhadores da Petroleos de Venezuela(PDVSA), que aderiram à greve no dia 4 de dezembro, tambémdecidiram manter paralisadas as atividades da segunda maiorestatal da área de petróleo do mundo, responsável por 80% dasdivisas internacionais que entram no país. Com a greve nacompanhia, as reservas internacionais da Venezuela encolheram emUS$ 1 bilhão apenas em dezembro, de acordo com informes do BancoCentral de Venezuela (BCV), enquanto que a inflação disparoupara 31,2% no decorrer do ano de 2002, mais de o dobro doregistrado no ano anterior, de 12,3%. Pior, a que de 6,4% doProduto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e setembro do anopassado deve se agravar com a greve que já dura 33 dias. O BCVestima que o PIB deve encolher mais um ponto porcentual noúltimo trimestre por causa da paralisação, que afetou,principalmente, a atividade industrial. A taxa de câmbio, que emmeados de dezembro estava no patamar de 1.260,00 bolívares pordólar, pulou para 1.400,00 bolívares no início de 2003,registrando uma depreciação de mais de 46% da moeda venezuelana.Na economia do país, que é altamente dependente de produtosestrangeiros, essa depreciação terá alto impacto nos preços. Osgrevistas acreditam ainda que, caso o impasse político einstitucional entre a oposição e o governo seja resolvido, aindústria venezuelana precisaria de pelo menos quatro meses paraalcançar os níveis de produção de novembro, antes da greve. Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL VENEZUELA

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