Chávez ensaia aproximação com governo colombiano

O presidente Hugo Chávez declarou, neste domingo, que, durante as 48 horas em que esteve detido na Venezuela, pensou "várias vezes na Colômbia" e falou que para esse "grande povo" deseja "a paz e não a guerra". Por sua vez, o governo colombiano ratificou neste domingo o princípio da "autodeterminação dos povos" e disse que os venezuelanos "escolherão suas autoridades" eles próprios.De outro lado, o embaixador venezuelano em Bogotá, Roy Chardeton Matos, assegurou que os meios de comunicação colombianos "confabularam" com os da Venezuela para arquitetar "o terrível terrorismo de criação de uma crise artificial".Em entrevista concedida em Caracas à cadeia colombiana Caracol, o presidente Chávez também manifestou seu desejo de que "rapidamente se restabeleça a paz" na Colômbia. A Rádio Caracol foi o único meio de comunicação que esteve esta madrugada no Palácio de Miraflores quando Chávez regressou e ficou conversando com o presidente e outras pessoas até as 6 horas (horário local)."É o povo venezuelano que escolherá suas autoridades", disse em Bogotá o ministro do Interior, Armando Estrada, acrescentando que "para o governo colombiano, só resta ratificar o respeito a esse princípio".No entanto, as reações favoráveis ao ex-presidente interino Pedro Carmona, ouvidas em Bogotá nas horas que se seguiram à deposição de Chávez, pressagiam uma difícil relação entre os dois países.A chanceler colombiana, Clemencia Forero, havia dito na sexta-feira que Carmona era "um grande amigo da Colômbia", e o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado colombiano, Jimmy Chamorro, disse que seu país tinha "muitas inquietações quanto à posição do presidente Chávez frente à guerrilha e ao conflito interno".Chamorro, no entanto, considerou "apressada a manifestação de reconhecimento da Colômbia a Carmona" por parte da chanceler Forero, sugerindo que o país devia ter esperado, "como fizeram México e Argentina, até que (Carmona) conseguisse consolidar-se".O embaixador Roy Chaderton prognosticou que Chávez se esforçará, a partir de agora, para "consolidar as relações bilaterais" e, conseqüentemente, segundo ele, haverá "uma melhora substancial na qualidade das relações" bilaterais.Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL VENEZUELA

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