Chávez envia Forças Armadas a emissoras

Governo quer impedir divulgação de pesquisas antes do resultado oficial

Ruth Costas, O Estadao de S.Paulo

21 de novembro de 2008 | 00h00

O órgão governamental que regulamenta os meios de comunicação na Venezuela anunciou que colocará militares e técnicos nas sedes dessas empresas durante as eleições regionais. A informação foi divulgada pelo jornal El Nacional, de Caracas. O objetivo, segundo Elda Rodríguez, diretora do Conselho Nacional de Telecomunicações (Conatel), é monitorar "a atuação da mídia" e "resguardar o funcionamento dos serviços de telecomunicações" no país.   Ouça reportagem de Ruth Costas"A comissão enviará, em colaboração com as Forças Armadas, técnicos instruídos em um rigoroso protocolo de trabalho para proteger as telecomunicações", afirmou Elda, acrescentando que militares acompanharão os técnicos. Na Venezuela também são as Forças Armadas que fazem a segurança dos colégios eleitorais.Em guerra aberta contra os meios de comunicação privados, a quem acusa de tentar desestabilizar seu governo, o presidente Hugo Chávez costuma ampliar as ameaças à imprensa em vésperas de eleições. No início da semana, ele prometeu revogar a licença das emissoras de rádio e TV que divulguem pesquisas de boca-de-urna ou qualquer outro tipo de previsão antes de o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) divulgar a contagem oficial.Segundo Andrés Cañizáles, coordenador do Programa de Liberdade de Expressão da Universidade Católica Andrés Bello, a ameaça é arbitrária. "Quem deveria sancionar as emissoras no caso de uma infração seria o CNE, não o governo. E as punições previstas não são a revogação da licença para os meios transmitirem sua programação, mas multas e outros tipos de sanções mais brandas", disse Cañizáles ao Estado. Para ele, a proibição das pesquisas de boca-de-urna tem objetivos políticos. "O governo quer receber o resultado antes para poder preparar sua resposta."O conflito entre Chávez e a mídia é antiga. Ele acusa alguns veículos de ter apoiado o golpe que o afastou do poder por 48 horas em 2002. Na época, algumas TVs preferiram exibir desenhos animados às notícias sobre seu afastamento. Em 2006, Chávez não renovou a licença da emissora Rádio Caracas Televisão (RCTV), o que provocou protestos por todo o país.

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