Chávez escolhe seu chanceler, Maduro, como futuro vice

Na chefia da diplomacia desde 2006, ministro é tido como pragmático e um dos favoritos para suceder presidente

CARACAS, O Estado de S.Paulo

11 de outubro de 2012 | 03h09

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem que seu atual chanceler, Nicolás Maduro, ocupará a função de vice-presidente. O cargo ganhou importância desde que o presidente venezuelano anunciou, em julho de 2011, ter um câncer pélvico cuja extensão não é conhecida.

Maduro substituirá Elías Jaua, que disputará a eleição para governador do Estado de Miranda em dezembro contra Henrique Capriles, o opositor que no último domingo foi derrotado por Chávez. O anúncio foi feito durante a proclamação oficial do líder bolivariano como vencedor da eleição pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

"Ao chanceler Maduro, desejamos muito sucesso", disse o presidente. "Vamos aplaudi-lo. Ele tem sido um grande servidor público todos estes anos em diversas frentes de batalha: na Assembleia Nacional e na chancelaria."

Chávez também agradeceu Jaua pelos serviços prestados nos dois anos e meio em que foi seu vice. "Obrigado, Jaua, e a sua família e aos que trabalharam com você por terem me aguentado", brincou o presidente, segundo o jornal El Universal.

No dia da eleição, após votar, o líder bolivariano destacou Maduro, sua mulher, a deputada Cilia Flores, e Jaua, como "jovens nomes do chavismo". Chávez afirmou também que sua revolução bolivariana "não é um projeto de um homem só" e "será levada adiante pelo povo".

Durante o período em que esteve em Cuba para tratar o câncer, Chávez recusou-se a transferir o cargo para Jaua. A doença também motivou debates sobre quem seria o herdeiro do chavismo. Ao longo de 14 anos no poder, o presidente evitou escolher um sucessor e sempre que um nome ganhava proeminência era afastado ou trocado de cargo.

Jaua, Maduro, o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, e Adán Chávez, um dos irmãos do presidente, foram apontados à época por analistas venezuelanos como os mais cotados para substituí-lo. Jaua e Adán representam o núcleo ideológico do chavismo e Cabello é ligado aos militares. Maduro é tido como pragmático.

Sindicalista. O chanceler, de 49 anos, foi condutor de trens do metrô de Caracas e líder sindical. Com a ascensão de Chávez ao poder, elegeu-se deputado em 1999 e presidiu a Assembleia Nacional entre 2005 e 2006, quando assumiu a chefia do ministério de Relações Exteriores. Sem diploma universitário, ganhou proeminência dentro do chavismo e é tido como um dos interlocutores mais próximos do presidente. Durante a última internação do presidente em Cuba, o acompanhou durante o tratamento.

Na Venezuela, o cargo de vice-presidente é de livre nomeação do governo, e não eleito ao lado do mandatário, como no Brasil. Em quase 14 anos na presidência, Chávez já nomeou sete vice-presidentes - alguns acumularam a função - e não houve longos períodos com o posto sem titular.

De acordo com a Constituição, se Chávez for obrigado a deixar a Presidência até o quarto ano de seu novo mandato (que se inicia em 2013), nova eleição presidencial deve ser convocada em 30 dias. Se a ausência ocorrer no biênio final do mandato de seis anos, é o vice que completa o período de mandato.

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