Chávez está em repouso absoluto, diz Maduro

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, afirmou na tarde de ontem que o presidente Hugo Chávez segue em "repouso absoluto" e seu quadro é de "estabilização progressiva". Na segunda-feira, Chávez sofreu uma infecção respiratória.

RODRIGO CAVALHEIRO, ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

21 de dezembro de 2012 | 02h10

Maduro divulgou o boletim médico sem anúncio prévio, durante a posse do governador de Guárico, ao sul de Caracas, um dos 20 Estados conquistados pelo chavismo no domingo - a oposição ficou com três, entre eles Miranda, que reelegeu o líder opositor Henrique Capriles.

Segundo Maduro, a infecção do presidente "segue sendo tratada e controlada pela equipe médica". O vice-presidente, chanceler e sucessor nomeado por Chávez acrescentou que o líder bolivariano está acompanhado dos parentes mais próximos, "que o informam sobre o país". Adán Chávez, irmão do presidente e governador reeleito do Estado de Barinas, viajou na terça-feira para Cuba. Segundo o jornal governista Correo del Orinoco, ele seria acompanhado dos pais do presidente.

Maduro disse ainda que o presidente foi informado do resultado da eleição regional e ficou "muito feliz". O vice-presidente não detalhou como o presidente estaria recebendo dados e tomando decisões se seu quadro é repouso absoluto. Antes de começar a ler o boletim, Maduro chegou a dizer que o presidente "estava bem, consciente" e recebia em Havana a atenção de Fidel e Raúl Castro.

O vice-presidente venezuelano classificou ainda como "protocolares" as complicações respiratórias detectadas na segunda-feira e divulgadas no dia seguinte.

Desde a operação de Chávez, no dia 11, em apenas dois dias não foram divulgados boletins de saúde do presidente. O primeiro comunicado, no dia seguinte à cirurgia, revelou um sangramento inesperado que exigiu intervenção médica. Os comunicados seguintes tiveram tom comedido, alertando para um pós-operatório "complexo e delicado".

Entre sexta-feira e domingo, os boletins, normalmente divulgados pelo ministro da Comunicação, Ernesto Villlegas, passaram a ser mais otimistas e relatar uma recuperação "lenta e progressiva". Na segunda-feira, dia em que foi diagnosticada a infecção, não houve relato sobre a saúde de Chávez. O governo silenciou também na quarta-feira.

Críticas. O secretário executivo da Mesa de Unidade Democrática (MUD), Ramón Guillermo Aveledo, afirmou ontem em entrevista coletiva, antes do boletim divulgado por Maduro, que o governo "não pode seguir escondendo a verdade".

"A gravidade (do estado de saúde) do senhor presidente é insustentável. Digam à Venezuela a verdade para que a Constituição possa ser aplicada com seriedade", disse.

A reclamação pareceu seguir uma orientação geral dada aos opositores, uma vez que líderes de outros partidos que compõem a MUD também passaram a questionar a precisão dos comunicados do governo.

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