Chávez esvazia poder de opositores eleitos

?Não temos medo desses fascistas?, afirmou o presidente venezuelano, Hugo Chávez, em seu programa dominical Alô, Presidente!, referindo-se a governadores e prefeitos opositores recém-eleitos. ?Preparemo-nos, generais, almirantes, porque os varreremos. Não lhes daremos trégua.? O que ele entende por ?não dar trégua? não demorou muito para vir à tona: na semana passada, uma série de decretos e medidas trataram de passar o controle de escolas, hospitais, cartórios e até edifícios públicos da prefeitura de Caracas e do populoso Estado de Miranda, agora governados por opositores, para ministérios e órgãos ligados ao governo central. Só na quinta-feira à noite, um decreto fez Miranda perder o controle de 18 hospitais e ambulatórios. Caracas perdeu mais de 90 escolas públicas e 30 hospitais, além da emissora de televisão Ávila TV.Incitados por autoridades ligadas a Chávez, grupos de funcionários públicos também começaram a ameaçar não cooperar com as novas administrações. O líder opositor, Manuel Rosales, novo prefeito de Maracaibo, foi formalmente acusado de corrupção e enriquecimento ilícito e, de quebra, Chávez ainda relançou um projeto rejeitado no referendo sobre a reforma constitucional, em dezembro de 2007: o de reeleições ilimitadas para o presidente. ?Não quero passar 2009 discutindo se Chávez é um tirano, se é meio tirano, se é isso ou aquilo?, disse o líder venezuelano, pedindo que seus aliados promovessem até fevereiro uma consulta popular sobre uma emenda constitucional que derrube o limite de dois mandatos.Motiva a contra-ofensiva de Chávez o fato de a oposição ter conseguido nas eleições regionais do dia 23 uma chance de crescer no cenário político venezuelano. Opositores venceram nas duas principais cidades - Caracas e Maracaibo - e em cinco Estados que concentram 45% da população e 70% da atividade econômica venezuelana. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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