Chávez expropria beneficiadora de arroz da americana Cargill

Presidente venezuelano acusa empresa de violar leis para driblar tabelamento de preços

AFP, REUTERS E EFE, O Estadao de S.Paulo

05 de março de 2009 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, ordenou ontem a expropriação de uma beneficiadora de arroz, filial da empresa americana Cargill, acusando-a de "violar" as leis que garantem o acesso da população a alimentos de qualidade e baratos."Que o país escute bem a instrução que estou dando: iniciem o processo de expropriação da Cargill", disse Chávez ontem durante uma reunião de ministros transmitida pela TV.Ele também ordenou a abertura de uma "investigação judicial" sobre a empresa, dizendo que ela violou o controle de preços da cesta básica. A Cargill da Venezuela produz e distribui óleo, arroz, farinha, massas, açúcar, café, leite, margarina e rações para animais.Segundo Chávez, o vice-ministro de Agricultura, Richard Canán, inspecionou ontem a usina de beneficiamento Cristal no Estado de Portuguesa e disse que a Cargill não está produzindo arroz branco, sujeito ao tabelamento de preços, mas apenas outras apresentações do cereal como forma de driblar o controle de preços do governo.Chávez também ameaçou ontem expropriar todas as processadoras da Polar, a maior produtora de alimentos e bebidas da Venezuela. "Eu estou alertando: podemos expropriar todas as fábricas da Polar", disse. No sábado, Chávez ordenou que militares e fiscais ocupassem uma beneficiadora de arroz da Polar. Ele acusou a empresa de destinar 90% de sua capacidade para a produção de arroz com sabores para driblar a política de tabelamento do governo. A Polar entrou com um recurso de amparo perante o Supremo contra a medida oficial de "ocupação temporária por 90 dias" de uma de suas beneficiadoras.LULAChávez disse ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversará com seu colega americano, Barack Obama, sobre a conflituosa relação entre Washington e Caracas. Chávez afirmou que deu ontem, durante uma conversa telefônica, seu aval a Lula para que discuta sobre a questão durante o encontro no fim do mês. "Falei com Lula, pois ele vai se encontrar com Obama. Ele me telefonou preocupado pelas declarações que têm sido feitas com agressões contra a Venezuela", disse Chávez. "Então, como Obama o convidou para conversar, Lula entrou em contato conosco e disse que, se estivéssemos de acordo, falaria sobre a questão da Venezuela. Eu disse que sim e faria o mesmo se fosse Brasil."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.