Chávez faz ataque a líder nas pesquisas da Colômbia

Venezuelano diz que Juan Manuel Santos é ameaça à região e relações com Bogotá se deterioram ainda mais

, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2010 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse ontem que o candidato favorito às eleições colombianas, o ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, representa uma "ameaça" para a Venezuela e outros países da região. As acusações indicam que as relações entre Caracas e Bogotá, que já estavam péssimas nos últimos meses do atual governo, de Álvaro Uribe, podem se deteriorar ainda mais com uma vitória de Santos, com quem Chávez trocou insultos no passado. Segundo o candidato colombiano, com o discurso de ontem, Chávez tenta "interferir" nas eleições do país vizinho.

As declarações do líder venezuelano foram feitas durante a 11.ª Cúpula da Aliança Bolivariana para as Américas (Alba), em Caracas. Na véspera, durante um debate na TV com outros candidatos à presidência, Santos disse se sentir "orgulhoso" de ter ordenado o ataque contra um acampamento da guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) em território equatoriano, em março de 2008. Mas acrescentou que seria "irresponsável" responder se atacaria de novo guerrilheiros colombianos que se abrigassem em países vizinhos.

"Isso (os comentários de Santos sobre o ataque) é uma ameaça para nós, especialmente para Equador, Venezuela e Nicarágua", disse Chávez, fazendo eco com o equatoriano Rafael Correa, para quem, com tais declarações, Santos demonstra uma "burrice grande".

"Outros candidatos disseram que bombardeariam outros países se houvesse campos terroristas em seu território. Mas o presidente Chávez só acusa a mim, o que indica claramente que quer interferir nas eleições", respondeu Santos, em Bogotá. "E o povo colombiano não deve gostar que Chávez interfira."

A operação de bombardeio ao território equatoriano arquitetada por Santos em 2008 aumentou a tensão com os países vizinhos e quase levou a um conflito armado. O porta-voz das Farc, Luis Edgar Devia, conhecido como Raúl Reyes morreu no ataque com outros 24 integrantes e colaboradores da guerrilha. E os militares colombianos ainda apreenderam no local dois computadores de Reyes, com informações sobre os negócios e os contatos da guerrilha.

Em julho, o presidente venezuelano sugeriu que Uribe demitisse Santos, então ministro da Defesa e o qualificou de "franco-atirador pago por Washington". "Se ele fosse meu ministro, já teria sido demitido", disse Chávez, durante um encontro do Petrocaribe, em Maracaibo.

"Ele é o ministro da Defesa e quer ser presidente. Isso é uma ameaça." O então vice-presidente e ministro da Defesa venezuelano Ramón Carrizáles chegou a definir Santos como um "personagem sinistro", de "infinita arrogância".

O cenário para as eleições colombianas começou a se definir no início do ano, com a decisão da Suprema Corte do país de barrar um referendo que permitiria a Uribe tentar o terceiro mandato. Segundo as pesquisas, Santos tem cerca de 30% das intenções de voto e o independente Antanas Mockus, tem 20%. Num segundo turno, porém, a vitória seria de Santos. / EFE REUTERS E AP

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