Chávez faz maratona na TV

Presidente comemora 10 anos do ?Alô, Presidente?

The Guardian, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

29 de maio de 2009 | 00h00

Não ha nada que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, goste mais de fazer do que discursar por horas e horas para o povo de seu pais. E foi exatamente isso que ele fez ontem e fará hoje, amanhã e domingo. A verborragia de Chávez faz parte de uma espécie de maratona para comemorar os dez anos de seu programasemanal de radio e TV, Alô, Presidente.''Não ha programa como esse'', disse o líder venezuelanodurante o ''show'' de ontem, transmitido diretamentede uma usina elétrica. Segundo o presidente, cada capitulo será diferente e as transmissões só serão interrompidas por intervalos - ''assim como uma novela'', brincou Chávez.A duração dos programas, porem, não foi estabelecida.Normalmente, cada edição dura de quatro a seis horas. Em um domingo de 2007, Chávez bateu todos os recordes e chegou a falariniterruptamente por oito horas.Alguns dos opositores do presidente não gostaram da suposta overdose de Chávez e despejaram criticas sobre a ideia do líder venezuelano. ''Quatro dias de circo'', afirmou o jornal El Nacional,que aproveitou a maratona de Chávez para questionar: ''Quando ele vai trabalhar?'' As atrações do Alô, Presidente são quase sempre umasurpresa para os espectadores. Chávez já cantou, abraçoucelebridades de Hollywood e anunciou nacionalizações nas horas em que esteve no ar. As declarações do presidente são sempre acompanhadas por anedotas de sua infância, ataquesferozes aos seus inimigos e intermináveis discussões sobre as politicas interna e externa da Venezuela.O líder cubano Fidel Castro, um dos mentores de Chávez, parabenizou o amigo pelo sucesso do programa. ''Nunca uma ideia revolucionaria fez uso de um meio de comunicação com tanta eficiência'', escreveu Fidel - também um mestre dos longos discursos. Em uma de suas colunas. As aparições semanais de Chávez na mídia venezuelanativeram inicio em 23 de maio de 1999. Inicialmente,o programa era exibido apenas pelo radio. Um ano depoisfoi levado ao ar também pela TV estatal, tornando-se uma das armas mais fortes do presidente contra o que ele chama de ''imprensaparcial e golpista''.Chávez chegou ate a acusar os meios de comunicação de seu pais de ''terrorismo midiático''. O presidente conseguiu expandir gradualmente a imprensa estatal - especialmente a TV. Quando Chávez assumiu o Palácio de Miraflores, o governocontrolava um canal de TV. Hoje, o Estado possui cinco emissoras.

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