Chávez foi subestimado por líderes mundiais, diz analista

O presidente Hugo Chávez iniciará nesta quarta-feira seu segundo mandato, com novos ministros, novo vice-presidente, novos ministérios e novas nacionalizações, denominadas pelo "comandante" como estratégicas para realizar sua "revolução bolivariana rumo à República Socialista". A decisão de iniciar uma reforma constitucional para fundar a República Socialista de Venezuela, anunciada na terça-feira, pelo presidente, colocou em alerta os analistas econômicos e políticos.Do ponto de vista político, "Chávez foi subestimado por (George W.) Bush, depois por Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, Brasil) e finalmente por (Néstor) Kirchner", opina o cientista político Rosendo Fraga, do Centro de Estudos Nueva Mayoria. Para ele, "o papel de Chávez será crescente na região e ele tem demonstrado saber manejar a ambigüidade da política". Fraga avalia que "o empréstimo que Chávez acaba de anunciar para a Nicarágua, o apoio que está dando à Rafael Correa, no Equador, no conflito com a Colômbia, sua influência na Bolívia sobre (Evo) Morales e a que adquirirá sobre Cuba com a chegada de Raúl Castro ao poder nos próximos meses, o mostram como uma figura muito vigorosa na região".Setor econômicoNo que diz respeito às análises econômicas, alguns economistas afirmam que a economia privada da Venezuela "vai desaparecer". Segundo o professor da Universidade Católica Andrés Bello, Orlando Ochoa, "a economia de mercado deve ser substituída por um modelo socialista, com o Estado regulando preços e lucros no setor privado". No mesmo sentido, o analista Alberto Garrido faz sua previsão de que a economia atual deve "sumir" nos próximos 14 anos. "O seguro de saúde privado e educação privada serão os primeiros a serem eliminados pelo governo", diz Garrido.O analista diz que o totalitarismo será o lema da Venezuela na segunda era de Chávez: "um líder, um país, uma ideologia", afirma. Existem expectativas de que no primeiro dia do novo mandato de Chávez sejam anunciadas novas medidas nesta direção. Chávez ganhou seu novo mandato até 2013, respaldado pelo crescimento econômico mais alto da região em 2006: 10,3% em 2006. Mas o analista Hugo Dias Laurenco, da Delphos Investiments, recorda que esse crescimento acelerado "dependeu unicamente de fatores externos, como o preço do petróleo", o que significa que está "sujeito a mudanças" nesse ano.Crescimento venezuelanoA Venezuela é o quinto exportador mundial de petróleo, com uma cota de três milhões de barris diários na Organização de Países Exportadores de Petróleo (OPEP). O Banco Central da Venezuela (www.bcv.org.ve) prevê que em 2007, o país crescerá entre 5% a 6% e que "o contexto internacional favorável vai continuar" nesse ano. Segundo estimativas do BC venezuelano, o crescimento econômico apresentado nos últimos 13 trimestres consecutivos está amparado "pela expansão da demanda agregada interna", devido aos elevados preços do petróleo.Um exemplo dos bons ventos que sopraram em favor de Chávez, quando ele assumiu o governo, em 1999, é que o barril do petróleo custava US$ 16. Já durante o último ano de seu primeiro mandato, 2006, o valor médio do barril foi de US$ 56. Segundo o último relatório apresentado pela estatal petrolífera venezuelana (PDVSA), entre janeiro a setembro do ano passado, a companhia faturou US$ 43,6 bilhões.No entanto, nem tudo é cor-de-rosa para Chávez e seus "petrodólares". Alguns economistas fazem advertências sobre o perigo de gastar tudo o que se consome e a falta de investimentos no setor privado. "Há algum tempo que estamos caminhando por um caminho de falta de capitalização do setor privado e de consumir o pouco valor agregado que resta ao país", afirmou o professor de Economia da Universidade Central da Venezuela, Alexander Guerrero.

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