Chávez forma 'comitê antigolpe' e volta a Cuba

Presidente venezuelano diz que pedirá ao Legislativo licença para ficar ausente por mais tempo, até o fim do tratamento de radioterapia

CARACAS, O Estado de S.Paulo

14 de abril de 2012 | 03h05

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, anunciou ontem que voltaria para Cuba, onde deve ficar por vários dias, em razão do tratamento contra um câncer pélvico. Antes do embarque, marcado para hoje de manhã, o líder bolivariano deixará encaminhada a criação de um "comitê antigolpe cívico e militar" para impedir tentativas de desestabilização do regime. O anúncio foi feito no 10.º aniversário de seu retorno ao poder após o golpe de 11 de abril de 2002.

"É certo que amanhã (hoje) volto a Havana para continuar com o tratamento", disse Chávez em discurso no balcão do Palácio de Miraflores. "Estou pensando em pedir permissão à Assembleia para ficar e receber o tratamento completo, em vez de ter de ficar indo e voltando." Restam duas sessões de radioterapia, das cinco previstas pela equipe médica que cuida do presidente.

Com isso, Chávez não participará da 6.ª Cúpula das Américas, em Cartagena da Colômbia. Sua presença fora confirmada na quinta-feira pelo gabinete do presidente colombiano, Juan Manuel Santos. Segundo o venezuelano, no entanto, a última palavra foi dos médicos.

"Quem decide não sou eu. É a equipe médica", declarou. "Não é fácil guardar repouso, mas sou disciplinado. Repouso é repouso."

O líder bolivariano dirigiu-se a uma multidão de partidários que convergiram para a frente do palácio presidencial para celebrar o aniversário de seu retorno ao poder. Ao lado dele estavam ministros, colaboradores e a filha Rosinés.

Chávez admitiu que o tratamento está debilitando seu organismo. "Estou convalescendo de uma operação e de um tratamento. Ele tem algum impacto no organismo", afirmou, sob os gritos de "Para frente, comandante". "São radiações. Mas estamos bem e estaremos bem com a ajuda de Deus."

Comitê. No mesmo discurso, Chávez anunciou a criação de um comitê antigolpe, com a participação de civis e militares, para evitar a repetição da ruptura institucional ocorrida em 2002. Segundo o bolivariano, a primeira função da comissão é elaborar um plano contra um golpe.

"Esse plano não tem a ver apenas com a ordem pública e a estabilidade do país, mas também com a economia e a resposta que daremos em profundidade contra a burguesia", disse.

O presidente ainda aproveitou o discurso para fazer duras críticas ao candidato da oposição nas eleições de outubro, Henrique Capriles Radonski.

" O medíocre (Capriles) foi colocado ali para novamente ser um dos iniciadores da conspiração desestabilizadora contra o povo venezuelano e a revolução bolivariana", disse.

O presidente ainda pediu o apoio dos militantes para obter 10 milhões de votos, o equivalente a 60% do eleitorado, nas eleições de outubro. "Chamo todo povo às ruas para defender a revolução", concluiu. / AFP

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