Chávez ganha 4º mandato na Venezuela e poderá completar 20 anos no poder

O presidente venezuelano Hugo Chávez, há 14 anos no poder, ganhou o direito de permanecer mais 6 anos no Palácio de Miraflores, até 2019. Por 54,42% dos votos (7,444 milhões), ele venceu na eleição de ontem o candidato da Mesa de Unidade Democrática (MUD), Henrique Capriles Radonski, que obteve 44,97% das preferências (6,151 milhões de votos), segundo o primeiro boletim oficial, com 90% das mesas contabilizadas.

ROBERTO LAMEIRINHAS , ENVIADO ESPECIAL / CARACAS, O Estado de S.Paulo

08 de outubro de 2012 | 08h39

Os demais votos ficaram com outros quatro candidatos. Dos mais de 18,8 milhões de eleitores cadastrados para votar, 80,94% compareceram, ultrapassando a marca histórica de 70%.

"O candidato opositor reconheceu a derrota. Esse é um passo importante para a construção da paz na Venezuela. Por isso estendo-lhes as mãos", disse Chávez em seu primeiro pronunciamento, na TV estatal.

Imediatamente após o anúncio do resultado, quatro horas e meia depois do fechamento das urnas, militantes chavistas explodiram em festa em vários pontos do país. Em Caracas, houve grande queima de fogos e ruído de vuvuzelas. Chávez se beneficia de uma popularidade alcançada graças à receita do petróleo, que regou o tesouro do país com estimados Us$ 140 bilhões nos últimos 14 anos e propiciou o financiamento de seus programas sociais.

Capriles, no entanto, foi o mais duro rival de Chávez desde que ele chegou ao poder e seu crescimento nas pesquisas nas últimas semanas o perfilava como candidato viável. "Para mim, a palavra do povo merece respeito", disse o opositor ao admitir a derrota. "Parabéns ao presidente da república, ganhamos todos os venezuelanos."

Ao votar ontem na comunidade de 23 de Enero, perto de Caracas, Hugo Chávez já se mostrava mais relaxado e confiante do que nos últimos dias da campanha. Candidato à terceira reeleição, Hugo Chávez, eleito em 1998, concorria ao quarto mandato - terceiro sob a vigência da Constituição de 1999.

Capriles votou cerca de uma hora depois do presidente, às 14h30, na capital, pedindo aos eleitores que ainda não tinham votado que se dirigissem aos centros eleitorais.

Pelas rigorosas regras eleitorais da Venezuela, pesquisas de boca de urna, análises e tendências não foram divulgadas antes do primeiro boletim oficial do Conselho Nacional Eleitoral - que só se pronunciou por volta das 23h30 de ontem.

A eleição marcada pela polarização entre os dois candidatos e ameaças de violência por parte de grupos ligados ao governo transcorreu de forma tranquila, exceto por poucos incidentes isolados - a maior parte casos de falhas nas urnas eletrônicas, substituídas pela votação manual.

Logo depois de votar, Chávez concedeu uma rápida entrevista coletiva na qual, pela primeira vez sem fazer rodeios - e talvez antevendo o resultado - afirmou que o resultado das urnas seria respeitado. "Que ninguém tenha dúvida, a voz dos venezuelanos será reconhecida pelo governo seja ela qual for", ressaltou Chávez.

O presidente estava acompanhado de um séquito que incluía personalidades como a ex-senadora colombiana Piedad Córdoba, a Prêmio Nobel da Paz guatemalteca, Rigoberta Menchú, o escritor Ignacio Ramonet e o ator americano Danny Glover.

O tenente-coronel da reserva, que liderou uma frustrada tentativa de golpe em 1992 e sofreu outra em 2002, citou o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva como testemunha de sua vocação democrática. "O Lula diz que a Venezuela é tão democrática que tem eleição toda hora e, quando não tem, o Chávez arruma uma", afirmou. "Pois eu digo que, se alguém quiser ver como funciona uma democracia, que venha à Venezuela."

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