Chávez garante que estará no Conselho de Segurança, apesar dos EUA

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, garantiu hoje que seu país "estará no Conselho de Segurança" da ONU, apesar de os EUA "ativarem toda sua capacidade de guerra suja" para tentar impedir isso. "Neste mesmo instante, nos corredores da ONU, está acontecendo um combate corpo a corpo, porque os delegados dos EUA andam pelos corredores" atrás do embaixador venezuelano na organização, Francisco Arias Cárdenas."Quando Arias Cárdenas fala com (os representantes de) um país X, mal sai da reunião e cinco dos EUA já estão atrás dele", disse Chávez em ato público transmitido por emissoras estatais de rádio e televisão. Esta atitude americana, disse, é uma demonstração de que a ONU não merece ter sua sede nos EUA, até que esse país se liberte do "nefasto sistema imperial que ali funciona".A Assembléia Geral da ONU renovará amanhã cinco das dez vagas não-permanentes do Conselho de Segurança, máxima instância de decisão da instituição, dos quais um, atualmente ocupado pela Argentina, é disputado por Venezuela e Guatemala. Chávez insistiu que seu país não está enfrentando a Guatemala, mas os EUA, e repetiu que Washington usa recursos "como pressões e chantagens" para evitar que a Venezuela obtenha os votos necessários na votação secreta dos 192 membros da ONU.DisputaPara vencer a votação, um dos dois países precisa ter no mínimo 128 votos a favor. Caso não conseguiam essa maioria, a votação se repetirá sucessivamente até que algum deles obtenha o apoio necessário. Tanto o Governo venezuelano como o guatemalteco realizaram nos últimos meses uma intensa campanha diplomática para vencer a disputa. O apoio à Venezuela e à Guatemala parece equilibrado, e fontes diplomáticas não descartam os guatemaltecos.A candidatura da Venezuela, que pretende ser "a voz do Sul" no Conselho de Segurança, tem o apoio de países como Irã, de grande parte do mundo árabe e, no grupo latino-americano, de nações como Bolívia e Cuba. Amparada pelos EUA, a candidatura da Guatemala tem o apoio da maioria dos países europeus, entre eles Espanha, e no âmbito latino-americano, do México e do Peru.A outra vaga não-permanente ainda não definida é disputada por Indonésia e Nepal, cujas forças também estão igualadas, para ocupar a cadeira do Japão. Os outros três assentos em votação já foram definidos no centro dos respectivos grupos regionais.Itália e Bélgica substituirão Dinamarca e Grécia representando a Europa Ocidental, enquanto a África do Sul tomará o lugar da Tanzânia pelo grupo da África. As vagas rotativas da instância têm duração de dois anos, e a metade delas é renovada anualmente.Vagas ocupadasOs outros cinco lugares não-permanentes são atualmente ocupados por Eslováquia, Gana, Peru, Catar e República Democrática do Congo (RDC), que só sairão do Conselho em 2007. Os países titulares das dez vagas rotativas têm direito ao voto, mas não ao veto, privilégio reservado apenas às cinco potências que são membros permanentes do órgão: EUA, China, França, Reino Unido e Rússia.Apesar dessa circunstância, a presença como membro não-permanente no principal órgão de decisão da ONU é cobiçada, pois dá destaque e oferece poder político em algumas ocasiões importantes. As resoluções do Conselho de Segurança são adotadas por unanimidade ou por uma maioria de nove países. Os dez países que estão "de passagem" na instância costumam usar seu voto como arma diante das cinco grandes potências, para avançar na sua própria agenda tanto interna como externa.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.