Chávez garante que não tem planos de novas nacionalizações

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, disse nesta quarta-feira, 20, que não tem planos de novas nacionalizações, e descartou que os protestos dos estudantes sejam espontâneos. Os setores privados, nacionais ou estrangeiros, podem "coexistir com esta revolução se cumprirem as leis", afirmou Chávez na entrevista concedida em Barinas, sua terra natal, perto dos Andes venezuelanos. Novas nacionalizações "não estão em nossos planos". "Chamamos os setores privados a colaborar", disse o presidente, que, ao assumir, em janeiro, um novo mandato de seis anos, anunciou a nacionalização da Cantv, a principal empresa de telecomunicações do país, e de empresas elétricas. O Estado venezuelano também tomou o controle dos campos petrolíferos da Faixa do Orinoco, operados nos últimos dez anos por transnacionais dos Estados Unidos, da Noruega, da França e do Reino Unido. Chávez afirmou, contudo, que "há empresas privadas que se dedicam a sabotar os planos do governo". Estas "não podem continuar funcionando se atentarem" contra as leis. Durante este novo mandato, o presidente iniciou ainda um processo para reformar a Constituição de 1999, aprovada um ano após sua chegada ao poder, e introduzir, entre outras propostas, a possibilidade de um número indefinido de reeleições presidenciais. Chávez disse que a reforma "está atualmente em uma etapa de revisão direta". Questionado sobre o que pode acontecer se os venezuelanos vetarem a proposta em plebiscito, o presidente garantiu que "se o povo disser que não, a Constituição não será reformada". Protestos Desde 28 de maio, dia seguinte ao fim das transmissões em rede aberta do canal Radio Caracas Televisión (RCTV), cuja concessão não foi renovada pelo governo venezuelano, estudantes universitários têm saído às ruas para protestar contra esta decisão com palavras de ordem para a defesa da liberdade de expressão. Chávez denunciou diversas vezes que os estudantes estão sendo "manipulados" por interesses ligados ao que chama "o império", em alusão aos Estados Unidos. Os jovens, porém, asseguram que seu protesto é "espontâneo", sem ligações com partidos ou a uma "conspiração". Na entrevista, Chávez disse que não vê espontaneidade nas manifestações estudantis. "Tudo faz parte de um plano" dirigindo pelos Estados Unidos e por "seus lacaios" na Venezuela, afirmou o presidente, para quem os mesmos grupos foram os que tentarem derrubá-lo com um golpe de Estado, que durou 48 horas, e com uma greve geral - ambos em 2002 -, além de outras medidas. Na entrevista, concedida no sítio de um de seus irmãos, Chávez disse que os estudantes podem estar protestando para expressar sua própria opinião, sem estarem sendo dirigidos. "Tomara que seja assim. A gente quer pessoas conscientes, não marionetes", respondeu. O presidente considerou, entretanto, que o protesto estudantil de "filhos dos ricos" é um "show à vista de todos", e que até mesmo "gente da oposição séria" considera que "esta é outra loucura". O presidente afirmou que aqueles que querem desestabilizar o país "não vão conquistar seus objetivos", e que na Venezuela se impõe "o caminho da paz, de uma democracia, de uma revolução". Ele lembrou ainda que venceu as últimas eleições presidenciais, em dezembro de 2006, com 63% dos votos, contra aproximadamente 35% de seu adversário, Manuel Rosales. "Eles (tiveram) 4 milhões de votos, nós passamos dos 7 milhões há apenas seis meses. Onde estão esses 4 milhões? Estão nas ruas? Nas ruas há cerca de 2.000, no máximo uns 10.000 no total", afirmou. "Aproximadamente 3.990.000 adultos que votaram contra mim estão trabalhando, vão às aulas, estão em casa, na praia", ressaltou. Em uma avaliação de seus mais de oito anos no governo, Chávez disse lamentar uma coisa: "Ter sido muito ingênuo nos primeiros anos". "É produto de quem sou. Passei meia vida em um quartel. Acredito na honra da palavra". Chávez não fez carreira política quando jovem. Quando entrou na política partidária, aproximou-se dele muita gente com unhas bem afiadas" que se aproveitou de sua "boa fé", disse. O presidente foi a Barinas no Dia dos Pais na Venezuela. Ele nasceu em 28 de julho, há quase 53 anos, na localidade de Sabaneta, no norte do estado, cujo governador atualmente é seu pai.

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