Chávez impõe controle de câmbio e preços

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou na quarta-feira à noite um novo sistema de controle de câmbio e preços, que passou a vigorar ontem, como forma de enfrentar as dificuldades econômicas agravadas com a greve geral de 63 dias, promovida pela oposição para derrubá-lo do poder e levantada domingo. O governo havia suspendido a venda de divisas estrangeiras no dia 21, quando o bolívar, a moeda nacional, chegou a sua mais baixa cotação, de 1.919 unidades por dólar. Chávez anunciou a fixação do câmbio em 1.596 bolívares por dólar para a compra e 1.600, para a venda. Ao mesmo tempo, estabeleceu que todas as divisas geradas pela estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) deverão ser vendidas exclusiva e obrigatoriamente para o Banco Central da Venezuela. "Nem um dólar para os golpistas, os desestabilizadores e os opositores", disse Chávez, referindo-se aos líderes empresariais e sindicais que promoveram a greve. "Os dólares vão para o povo." Despindo-se do tom populista, funcionários da área econômica do governo justificaram a medida como uma "defesa das reservas", que baixaram de US$ 15 bilhões para menos de US$ 14 bilhões durante os dois meses de paralisação, que afetou, principalmente, a exportação de petróleo. A indústria petrolífera é responsável por 80% dos ingressos de dólares no país. Paralelamente, Chávez anunciou que os preços de produtos e serviços considerados de primeira necessidade serão controlados pelo Ministério de Produção e Comércio. E acrescentou que medidas financeiras, cambiais e sociais complementares para solucionar a crise econômica serão divulgadas nos próximos dias, quando ficar pronta a "agenda bolivariana para a conjuntura". Além de medicamentos e materiais de construção, a lista de produtos controlados inclui carne de todas as origens, enlatados, farinhas de milho e trigo e grãos. Embora analistas econômicos independentes tenham considerado as medidas "inevitáveis" ante o prejuízo global estimado de US$ 4 bilhões, causado pela greve, elas foram rechaçadas pela maior federação de empresários do país, a Fedecámaras, para a qual as ações não evitarão "o desabamento" da economia venezuelana. O PIB, segundo a Fedecámaras, pode encolher 25% este ano. "As medidas decretam a paralisação da economia, pois estabelecem todos os tipos de controle sobre a atividade econômica", disse a vice-presidente da Fedecámaras, Albis Muñoz.

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