Chávez incita atrito com estudantes na Venezuela

Um dia depois de o presidente venezuelano, Hugo Chávez, ter pedido que as polícias regionais "assegurem a ordem pública e o direito de todos os venezuelanos de circular em paz", militantes chavistas impediram ontem estudantes da Universidade Católica Andrés Bello (Ucab) de deixar o câmpus para um protesto em Caracas. Na prática, dizem os opositores, o discurso de Chávez foi uma exortação pela repressão das manifestações da oposição que entraram ontem em seu quinto dia.

AE, Agencia Estado

30 de janeiro de 2010 | 07h43

"Se seguirem com a confusão, viremos com as armas", gritavam os chavistas nas proximidades da estação de metrô de Antimano, caminho obrigatório dos estudantes, enquanto um caminhão de som os qualificava de "burgueses fascistas". Um pouco antes, o dirigente do movimento estudantil da Ucab, Nizar el Faki, tinha afirmado a um grupo de jornalistas que lideraria uma marcha até a Praça Brion, de Chacaíto, no leste de Caracas, de onde os estudantes partiriam para algum lugar não revelado e sentariam em uma via pública. Desse local, afirmou Faki, só sairiam após a chegada do ministro do Interior, Tarik al Aisami.

O piquete chavista, porém, impediu que os estudantes deixassem o local. Em seguida, vieram as ameaças de invadir a instalação. Perto da praça em Chacaíto, havia motociclistas da União Popular da Venezuela (UPV), o movimento ultrarradical liderado por Lina Ron - presa em agosto, depois de um ataque com bombas caseiras à sede da Globovisión, TV vinculada à oposição, e libertada dois meses depois.

Estudantes da Ucab disseram que alguns de seus colegas chegaram a ser agredidos pelos chavistas e outros sofreram ferimentos leves em consequência de fogos de artifício lançados contra a universidade. Os protestos, que tiveram início na segunda-feira, um dia depois de uma decisão administrativa do governo ter silenciado a emissora por cabo Rádio Caracas Televisão (RCTV), provocaram confrontos em algumas partes do país e causaram a morte de pelo menos duas pessoas em Mérida, no oeste da Venezuela. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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