Chávez indulta colombianos antes de partir para visita oficial a Uribe

Líder venezuelano, que também negocia com Farc libertação de reféns, quer demonstrar boa vontade com Bogotá

Renata Miranda, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2031 | 00h00

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, decidiu ontem indultar 41 supostos paramilitares colombianos presos na Venezuela desde 2004 acusados de conspirar contra seu governo. Chávez já havia anunciado sua intenção de conceder o indulto aos presos na semana passada, mas foi só ontem - um dia antes de viajar para Bogotá - que o decreto foi publicado na Gazeta Oficial do país.O líder venezuelano deve reunir-se hoje com o presidente da Colômbia, Álvaro Uribe. Nas seis horas programadas para o encontro, os dois presidentes devem discutir, principalmente, o acordo humanitário que Chávez está tentando intermediar entre o governo colombiano e a as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).No começo do mês, Chávez ofereceu ajuda ao país vizinho para atuar como mediador na questão do conflito interno colombiano e ajudar tanto o governo como a guerrilha a chegarem a um acordo para libertar os 45 reféns das Farc - incluindo a política franco-colombiana Ingrid Betancourt. Na semana passada, Chávez encontrou-se com parentes das vítimas e disse ter feito contato com o líder máximo das Farc, conhecido como ''''Manuel Marulanda'''' ou ''''Tirofijo'''' (Tiro Certeiro).Ontem, o venezuelano manteve uma reunião com seu chanceler, Nicolás Maduro, com o embaixador venezuelano na Colômbia, Pável Rondón, e com a senadora colombiana e mediadora das negociações, Piedad Córdoba, para definir sua agenda com Uribe. Chávez também recebeu um telefonema do presidente francês, Nicolas Sarkozy (leia ao lado).Os 41 supostos paramilitares que receberão o indulto de Chávez fazem parte de um grupo de 118 colombianos presos numa propriedade dos arredores de Caracas em maio de 2004. Autoridades do país afirmaram que todos usavam uniformes militares e eram suspeitos de tramar um plano para assassinar Chávez. Pouco tempo depois da prisão, a maior parte dos suspeitos foi libertada.Para o cientista político Gabriel Murillo, da Universidade dos Andes, em Bogotá, a urgência de Chávez em libertar os colombianos na Venezuela está diretamente relacionada à reunião que o líder venezuelano terá com Uribe hoje. ''''A atitude de Chávez foi mais uma maneira que ele encontrou para tentar fortalecer sua relação com Bogotá'''', disse Murillo ao Estado, por telefone.O professor de direito penal da Universidade Javeriana Julio Sampedro também crê que a decisão do presidente venezuelano vai melhorar as relações entre os dois países. ''''Como irmãos, a Colômbia e a Venezuela já tiveram suas divergências, mas agora creio que chegou o momento dos dois países seguirem o mesmo caminho rumo à libertação dos seqüestrados'''', disse, por telefone. ''''Na Colômbia, a disposição de Chávez de querer ajudar num dos maiores problemas do país (a libertação dos reféns) tem recebido aplausos.''''Já a diretora-executiva da Fundação País Livre, Olga Lucia Gómez, vê a ação de Chávez com ressalvas. ''''A manobra do presidente venezuelano (de indultar os supostos paramilitares) parece muito perigosa'''', disse. ''''Acredito que, libertando essas pessoas, as negociações com as Farc (alvos das ações militares dos ''''páras'''') vão se complicar.'''' Murillo acredita que ao beneficiar os paramilitares, Chávez está buscando consolidar a imagem de mediador humanitário e líder internacional. ''''Chávez envia um sinal de que sua ajuda na Colômbia não se concentrará apenas nas negociações com as Farc, mas também pode estender-se a outros problemas do país.''''As relações diplomáticas entre Colômbia e Venezuela estão abaladas desde 2004, quando o ''''chanceler'''' das Farc, Rodrigo Granda, foi preso em Caracas. Segundo funcionários do governo venezuelano, a prisão de Granda foi feita por policiais da Venezuela que receberam suborno de agentes de inteligência da Colômbia. Na época, Chávez acusou o governo de Uribe de violar a soberania venezuelana e anunciou a suspensão das relações comerciais com o país vizinho.Ontem, a senadora colombiana Gloria Inés Ramírez disse ter-se encontrado com Gandra em Cuba e o guerrilheiro lhe informou ter recebido instruções das Farc para negociar o acordo humanitário. A guerrilha, inicialmente, exige a desmilitarização de duas vastas regiões do país para que abrigam uma mesa de diálogo com o governo.DEPUTADOS MORTOSUribe anunciou ontem que as Farc aceitaram entregar amanhã os corpos dos 11 deputados mortos no cativeiro em 18 de junho - segundo a guerrilha, durante uma troca de tiros com o Exército.O porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) - entidade que negocia a devolução dos cadáveres com a guerrilha -, Yves Heller, disse que não confirmava a data para a entrega dos corpos dos deputados. RELAÇÕES TURBULENTAS13/5/2004: Venezuela anuncia ter prendido 118 paramilitares colombianos que teriam o plano de assassinar Hugo Chávez e dar um golpe de Estado em Caracas13/12/2004: Grupo de policiais venezuelanos pagos pela Colômbia seqüestra o ''''chanceler'''' das Farc, Rodrigo Granda, na Venezuela e o entrega às autoridades colombianas na fronteira. Ação desata crise entre Bogotá e Caracas4/6/2007: Presidente colombiano, Álvaro Uribe, acata pedido do presidente francês, Nicolas Sarkozy, e liberta Granda para mediar negociações para libertar reféns15/8/2007: Uribe nomeia a senadora da oposição Piedad Córdoba para mediar acordo de paz17/8/2007: Chávez aceita proposta de Piedad para ajudar no diálogo20/8/2007: Chávez recebe, em Caracas, parentes de refénsOntem: Venezuela indulta 41 paramilitares colombianosCOM AP E AFP

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