Chávez inicia operação de resgate

Aviões venezuelanos já sobrevoam a Colômbia; reféns das Farc devem ser libertados hoje, se o tempo ajudar

Mariana Della Barba, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

29 de dezembro de 2007 | 00h00

Começou ontem a primeira fase da operação organizada pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, para libertar três reféns das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e batizada de "Operação Emmanuel". Chávez e uma delegação de representantes internacionais - entre eles o assessor para assuntos internacionais do governo brasileiro, Marco Aurélio Garcia - desembarcaram à tarde na base aérea de Santo Domingo, no Estado venezuelano de Táchira, perto da fronteira com a Colômbia. Também estava na base o cineasta americano Oliver Stone, que se propôs a gravar a entrega dos reféns. De lá, o grupo partirá para a cidade colombiana de Villavicencio (a 126 quilômetros de Bogotá e a 500 de Santo Domingo), que servirá de base para as operações de resgate. Vestido com seu uniforme militar, Chávez afirmou no início da tarde de ontem que já havia aeronaves venezuelanas sobrevoando a Colômbia. Pouco depois, dois helicópteros pousaram em Villavicencio com o vice-chanceler venezuelano para América Latina e Caribe, Rodolfo Sanz, e delegados do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que foram recebidos pelo comissário colombiano para a paz, Luis Carlos Restrepo. No entanto, a entrega dos reféns, prevista para ontem, só deve ocorrer hoje, já que a operação só pode ser realizada durante o dia - uma das normas da CICV, responsável pelo resgate na selva. "Tomara que faça um bom tempo amanhã e que se acertem os pequenos detalhes para que possamos completar a operação", disse Chávez.Quando partir de Villavicencio, a "caravana aérea humanitária", como Chávez batizou a operação, vai seguir até um ponto ainda desconhecido no território colombiano para resgatar a deputada Consuelo González de Perdomo, Clara Rojas (assessora da ex-candidata presidencial Ingrid Betancourt) e o filho dela, Emmanuel, que nasceu no cativeiro há três anos. O venezuelano Ramón Rodriguez, ex-ministro do Interior, receberá as coordenadas dos guerrilheiros com o local da entrega dos seqüestrados e passará essas informações apenas aos pilotos.A bordo dos dois helicópteros que farão o resgate estarão representantes de oito países (Venezuela, Colômbia, Brasil, França, Argentina, Bolívia, Equador e Suíça), além de funcionários do CICV. A deputada colombiana Piedad Córdoba, que junto com Chávez vem negociando com os guerrilheiros, também está em Santo Domingo e participará da ação. PRAZO PARA O RESGATEO governo do presidente Álvaro Uribe, que na quarta-feira autorizou o plano de resgate de Chávez, deu ontem um prazo para o final da missão: 18h59 de amanhã (21h59 no horário de Brasília). Chávez, no entanto, disse desconhecer esse prazo estabelecido por Bogotá. "Não há nenhum acordo." A alardeada missão de Chávez será coordenada também por Restrepo, pelo ex-presidente argentino Néstor Kirchner e pelo chanceler venezuelano Jorge Taiana. Chávez reiterou ontem que está disposto a retomar a mediação das negociações com as Farc. Uribe tirou-lhe da função após acusá-lo de se envolver em assuntos internos da Colômbia. O venezuelano disse ser "capaz de esquecer tudo o que passou" se o governo colombiano o autorizar a retomar as mediações para a libertação do restante dos reféns. "Já disse e mantenho, iria até Marulanda", disse Chávez, em referência ao líder das Farc, Pedro Antonio Marin, conhecido como Manuel Marulanda.Os parentes dos três reféns já estão em Caracas, aguardando a libertação. Segundo o jornal El Tiempo, de Bogotá, a filha de Clara Rojas, María Fernanda, disse que está levando para a mãe uma muda de roupas. Os irmãos de Clara contaram que também estão carregando roupas para Emmanuel. "Não podemos levar muita coisa porque viajaremos em um avião pequeno", disse Iván Rojas, irmão de Clara. Os três reféns fazem parte de um grupo de 45 seqüestrados que as Farc querem trocar por 500 rebeldes presos.

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