Chávez insiste na ampliação do Grupo Amigos da Venezuela

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vai insistir na ampliação do Grupo de Amigos da Venezuela, apesar de o Brasil já ter se colocado em janeiro contra a idéia. O embaixador venezuelano na Organização dos Estados Americanos (OEA), Jorge Valero, levará amanhã aos integrantes do Grupo, que se reúnem no Palácio do Itamaraty, o apelo de Chávez para incluir no grupo outras nações interessadas em apoiar as negociações entre o governo de Caracas e a oposição.Valero insistirá que "outros amigos", como Rússia e Cuba, devem participar dessa frente internacional. "Esperamos que nossos amigos escutem esse pleito do governo venezuelano", disse o embaixador, ao chegar em Brasília para o encontro. Em janeiro, o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deixou claro que a atual composição do grupo já refletia um equilíbrio "delicado e importante".Essa será a segunda reunião do Grupo de Amigos, composto por Brasil, Chile, Espanha, Estados Unidos, México e Portugal. A primeira reunião foi em Washington e o encontro de amanhã é considerado técnico. O ministro Celso Amorim, por exemplo, não estará presente. Pelo Brasil estará presente o secretário-executivo e ministro interino, Samuel Pinheiro Guimarães. Além de Valero, estarão vice-ministros e representantes diplomáticos de cada país, o secretário-geral da OEA, Cesar Gaviria, e o coordenador da delegação da oposição chavista, Timoteo Zambrano. A insistência do governo venezuelano em ampliar o Grupo de Amigos é baseada, segundo Valero, numa explicação simples. "Se existem outras nações interessadas em participar, não vejo motivos para que o grupo não seja ampliado", justificou. Diplomaticamente, o diplomata buscou deixar claro que, ao manter a defesa do pedido de ampliação do grupo, o governo de Caracas quer apenas dar maior representação a essa frente. "Não queremos fazer desse tema um obstáculo ao funcionamento do grupo", salientou.Mesmo com a participação de representantes da oposição chavista, a estrutura montada pela chancelaria brasileira não dará espaço para um debate entre Valero e Zambrano na reunião de amanhã. Cada um falará aos participantes do encontro em momentos distintos. A oposição pretende denunciar a existência de perseguições políticas contra os líderes da greve geral que paralisou a Venezuela por cerca de dois meses. O embaixador venezuelano garantiu, entretanto, que não há perseguição política em curso em seu país. "Não há nenhum preso político na Venezuela e estamos cumprindo todos os acordos internacionais, inclusive o de direitos humanos", disse Valero.PetróleoO representante de Chávez também fará uma apresentação sobre como a economia venezuelana vem se recuperando depois da greve geral. "Vamos mostrar como essa recuperação tem sido feita de maneira rápida, principalmente no setor petrolífero", disse. Segundo Valero, o país já está com 80% de sua capacidade produtiva de petróleo em funcionamento, o que garante um produção diária de cerca de 2,5 milhões de barris de petróleo. O setor é fundamental para a economia venezuelana, já que a Petroleos de Venezuela (PDVSA), estatal do setor, respondem por 43% das receitas obtidas pelo governo por meio de impostos e royalties. Há também um interesse internacional nessa recuperação. A Venezuela é um importante fornecedor de petróleo, e sua produção será fundamental, caso haja uma guerra entre os Estados Unidos e o Iraque. Segundo Valero, o país irá cumprir sua cota de produção estipulada pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), da qual a Venezuela é integrante. "Já estamos com 80% da capacidade produtiva em funcionamento e vamos cumprir a cota estabelecida pela organização", disse.

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