Chávez insulta cardeal e acirra crise com Igreja

Presidente venezuelano diz na TV que Jorge Urosa 'tem estatura moral pequena' e ameaça romper acordo firmado em 1964 com o Vaticano

, O Estado de S.Paulo

19 de julho de 2010 | 00h00

CARACAS

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, felicitou ontem a Assembleia Nacional por ter convocado o cardeal Jorge Urosa Savino para "apresentar provas" da declaração de que o líder bolivariano está atropelando a Constituição e levando o país pelo caminho do socialismo marxista.

"Vou te dedicar toda minha vida, cardeal. Não vais conseguir derrubar Chávez, cardeal. Porque eu sei quem és e a estatura moral pequena que tens", declarou, durante seu programa dominical Alô, Presidente.

"Eu poderia até mesmo ir a um tribunal, pois o cardeal acusa a mim, e aos bispos, de violar a Constituição", prosseguiu Chávez. "Eu deveria estar preso, então. Claro, é isso o que querem. Por trás do jogo do cardeal está o golpe de Estado."

O cardeal Urosa fez as declarações após a prisão na semana passada, por parte do governo de Chávez, do opositor Alejandro Peña Esclusa - acusado de armazenar explosivos para sabotar as cruciais eleições legislativas de setembro. A defesa de Peña Esclusa assegura que as provas foram plantadas em sua casa pela polícia. Acirrando o conflito com a Igreja, Chávez ordenou, durante o programa, ao chanceler Nicolás Maduro que revise o acordo pelo qual o Estado venezuelano oferece "certos privilégios" ao Vaticano. Ele se referia a um convênio de 1964, pelo qual Caracas repassa parte de recursos provenientes da exploração do petróleo à Igreja Católica nacional para o custeio de obras assistenciais e projetos educativos.

Chávez insistiu que há "empenho" em assassiná-lo ou derubá-lo porque o "império teme o sucesso da revolução". / EFE e AFP

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