Chávez insulta rival ao rejeitar debate

Presidente venezuelano diz que adversário nas eleições de novembro, Henrique Capriles, 'não é nada'; oposicionista reage no Twitter

CARACAS, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h01

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, descartou na noite de segunda-feira toda a possibilidade de participar de um debate eleitoral com seu adversário na eleição presidencial de 7 de outubro, Henrique Capriles Radonski. Chávez argumentou que seria "vergonhoso" enfrentar num debate um rival que "não é ninguém".

A declaração intensifica a retórica da polarizada campanha presidencial. Em resposta, Capriles afirmou por meio de sua conta no Twitter que os venezuelanos estavam "cansados da série de insultos" do líder socialista.

Lutando contra um câncer que o manteve afastado de eventos públicos nos últimos meses, Chávez, de 57 anos e há 13 no poder, aparece como líder nas pesquisas e seus partidários exibem grande confiança em mais uma reeleição. A campanha de Capriles, no entanto, insiste que essas sondagens são tendenciosas e estão comprometidas pelo fato de muitos venezuelanos terem medo de expressar sua verdadeira opinião.

Questionado numa entrevista coletiva se estaria preparado para um debate com Capriles, Chávez respondeu: "Eu teria vergonha, porque o que você tem aí não é nada... Eu gostaria de enfrentar um peso pesado e não um pessoa que não é uma entidade". Em eleições anteriores, Chávez também tinha evitado debates com seus adversários.

Desde que Capriles, um jovem governador de centro-esquerda, ganhou as primárias da principal coalizão de oposição em fevereiro, Chávez não se referiu a ele pelo nome, preferindo usar insultos como "porco", "medíocre" e "perdedor".

Capriles tem procurado concentrar sua campanha nos problemas diários dos venezuelanos - desemprego, crime e gargalos nos serviços sociais - em lugar de ser arrastado para a disputa retórica. Após a nova ofensiva de Chávez, no entanto, o candidato da oposição decidiu reagir: "O candidato do atraso nunca poderia debater com ninguém, ele só sabe insultar e desonrar pessoas, tem um discurso desgastado e tedioso".

De acordo com analistas, Chávez parece ter conquistado uma simpatia considerável em razão da luta contra o câncer, enquanto sua popularidade entre os pobres continua elevada como consequência dos pesados gastos com projetos sociais e de seu carisma pessoal.

Capriles, que, em contraste, projeta uma imagem de juventude e energia, está atraindo grandes multidões em suas visitas diárias a rincões remotos da Venezuela, quase de bairro em bairro. Ele vem prometendo um governo ao estilo "esquerda moderna", inspirado no Brasil, caso vença Chávez.

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