Chávez leva prêmio estatal de jornalismo

Venezuelano morto em março ganha homenagem por 'democratizar comunicação'; sindicato protesta

CARACAS, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2013 | 02h10

Três meses após a morte de Hugo Chávez, a Fundação Prêmio Nacional de Jornalismo (FPNP) - órgão estatal ligado à vice-presidência venezuelana - outorgou ao líder bolivariano o Prêmio Nacional de Jornalismo Simón Bolívar. Ao longo de seus 13 anos de governo, Chávez impulsionou a criação de um amplo aparato de imprensa estatal que reúne rádios comunitárias, canais de TV, jornais e agências de notícia.

Chávez também foi acusado pela oposição de sufocar o jornalismo crítico ao seu governo. A láurea, anunciada na quarta-feira à noite, será entregue à família do presidente no Dia do Jornalista, em 27 de junho.

"Decidimos outorgar o prêmio extraordinário ao comandante Hugo Chávez porque ele devolveu a palavra aos oprimidos do mundo em seu papel de comunicador social, em sua constante batalha contra a mentira midiática", disse a porta-voz da FPNP, Lil Rodríguez. "Ele deu sem descanso sua visão de mundo ao povo e nos deu a Pátria."

A cerimônia de entrega do prêmio será comandada pelo presidente Nicolás Maduro, herdeiro político do bolivarianismo, eleito em 14 de abril, e ocorrerá no Palácio de Miraflores, sede do Executivo venezuelano. "Nunca tivemos comunicadores como Chávez e Bolívar", acrescentou a porta-voz. "O comandante impulsionou e criou meios públicos e populares e levou sua causa aos oprimidos do mundo, especialmente na América Latina."

Uma das ações mais controvertidas do líder bolivariano foi a não renovação da concessão da RCTV, em 2007. O canal, crítico do chavismo, foi acusado de ter tramado o golpe de Estado que tirou Chávez do poder por dois dias em 2002.

Este ano, a Globovisión, um dos últimos canais com conteúdo antichavista, que já foi vítima de pesadas multas por parte do governo, foi vendida pelos proprietários a empresários próximos do governo e tem passado por uma mudança em sua linha editorial.

O Sindicato Nacional de Jornalistas da Venezuela protestou contra a homenagem. "Rechaçamos o prêmio dado ao falecido presidente Chávez, responsável pelo fechamento de inúmeros meios de comunicação durante seu governo: além da RCTV, 33 emissoras de rádio, o que deixou desempregados centenas de colegas", disse a comunidade por meio de nota. "Em mais de uma ocasião, o presidente Chávez submeteu jornalistas ao escárnio público quando foi incomodamente questionado em entrevistas." / AFP e EFE

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