Chávez muda o nome da Venezuela e anuncia novas medidas

Um dia após tomar posse como presidente reeleito, Hugo Chávez anunciou novas mudanças no país, a começar pelo nome oficial da Venezuela, que passará de "República Bolivariana" para "República Socialista", além do fim dos municípios como unidades federativas. Com a mudança no nome do país, Chávez quer conferir à nação uma nova "divisão política territorial", que substituirá prefeituras por conselhos de cidadãos, eliminando o risco de derrota nas eleições municipais.Além disso, o ministro das Finanças, Rodrigo Cabezas, informou que o plano de estatização do governo atingirá todas as empresas que atuam no setor de eletricidade do país. Cabezas disse ainda que o governo pode nacionalizar completamente os quatro projetos de exploração de petróleo extra-pesado na faixa do Rio Orinoco, multinacionais de capital americano, além de aumentar os impostos das empresas que tiverem "lucros elevados". Na quarta-feira, durante a posse para seu terceiro mandato, Chávez anunciou, além da nacionalização dos setores de eletricidade, telefonia e água, que pretende pedir ao Congresso a aprovação de uma lei que lhe conferirá ´maiores poderes´ e que permita a reeleição de forma indefinida, reformulando assim o ambiente jurídico do país. Plantas de petróleoA Venezuela poderá ainda nacionalizar quatro plantas de extração de petróleo pesado extraído na bacia do Rio Orinoco se as negociações com as petrolíferas estrangeiras falharem, conforme afirmou Cabezas, em entrevista à rede estatal de televisão.Ele explicou que o governo continua procurando obter o controle majoritário das plantas através de negociações. Podem ser atingidas pelo processo seis companhias estrangeiras que controlam esses projetos na região: Exxon Mobil Corp., Chevron Corp., Statoil, Conoco Phillips, Total e BP PLC. "Se as negociações do Ministério de Petróleo e Energia não derem em nada, o Estado pode implementar um ato de nacionalização", disse o ministro das Finanças à rede estatal. Outras nacionalizaçõesEm outra entrevista, Cabezas disse ao jornal venezuelano El Universal que os "acionistas da telefônica Cantv receberão o preço justo pelo valor de suas ações". Quando perguntaram ao ministro se os planos incluiriam a maior empresa de eletricidade, a Electricid de Caracas (EDC), ele reiterou que eles "abrangem todo o setor elétrico". Por enquanto, disse o ministro, o governo quer apenas o controle das operações de telecomunicações, eletricidade e gás natural.O governo venezuelano vem negociando as operações na baia do Orinoco com companhias de petróleo estrangeiras desde o ano passado. O objetivo é criar empresas mistas que dêem ao governo o controle sobre a extração do óleo. Modelos parecidos de "joint ventures" já foram formadas em outros países da América do Sul, e a maioria das companhias já mostraram o desejo de continuar investindo sob esses novos termos.OposiçãoA oposição venezuelana reagiu às novas medidas anunciadas pelo governo venezuelano afirmando que organizará uma ampla campanha de mobilização contra as estatizações. Manuel Rosales, o candidato derrotado nas eleições de dezembro, afirmou não deixará que a democracia seja ´perdida´ no país.Refinaria na NicaráguaApós participar da posse do sandinista e antiamericano Daniel Ortega na Nicarágua, Chávez disse nesta quinta que a Venezuela construirá uma refinaria no país "durante o mandato do amigo e companheiro comandante", com capacidade de processar entre 100 mil e 150 mil barris de petróleo. O líder venezuelano anunciou a adesão da Nicarágua ao projeto da Alternativa Bolivariana para as Américas (Alma), projeto impulsionado por Chávez ante à proposta norte-americana da Área de Livre Comércio das Américas (Alca).

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