Chávez nega plano para confiscar propriedade privada

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, negou, neste domingo, que seu governo de esquerda pretende confiscar o segundo imóvel pertencente a um mesmo proprietário, ou carros de luxo, e apelou aos venezuelanos para não temerem seu empenho acelerado na implantação do socialismo. "Ninguém deve ficar temeroso. Se tivermos que nos aterrorizar com alguma coisa deve ser com relação ao capitalismo, que destrói a sociedade, as pessoas e o planeta", disse Chávez, durante seu programa semanal de rádio e televisão, chamado "Alô, Presidente".Mas também advertiu seus oponentes políticos de que "nada interromperá" o avanço do "socialismo do século 21", dizendo que a maioria dos venezuelanos decidiu deixar gradativamente o capitalismo para trás.Muitos venezuelanos abastados e da classe média contrários a Chávez temem que o ex- comandante possa confiscar segundos imóveis de sua propriedade, a medida que prossegue com sua Revolução Bolivariana - movimento político que leva o nome do herói sul-americano Simón Bolívar.Durante seu programa, transmitido ao vivo a partir de uma fazenda de gado nos arredores de San Carlos, pequena cidade no centro da Venezuela, onde Chávez inaugurou uma série de "centros de formação socialista" . Segundo disse, ali os venezuelanos estudarão os ideais socialistas e também receberão uma formação profissional."Como disse Cristo, o socialismo exalta o amor entre nós", disse Chávez, insistindo para que os venezuelanos de todas as classes sociais e tendências políticas aceitem "o socialismo que vamos criar com todos os nossos esforços, nossa mentes, nossas mãos e nossos corações".Males do capitalismoChávez, reuniu-se com as pessoas que trabalhavam na fazenda de 740 acres, indagando sobre sua vida quotidiana, e alertou-as contra os males do capitalismo, pedindo para que trabalhem na criação do socialismo através da criação de um "novo homem", enquanto elas faziam a ordenha e mostravam ao presidente como o queijo era produzido.Os oponentes de Chávez afirmam que a Venezuela está mergulhando lentamente num autoritarismo no estilo cubano, acusando o presidente de procurar se firmar como um presidente perpétuo, como seu amigo Fidel Castro.Chávez rejeita alegações de que é uma ameaça à democracia, mas o líder esquerdista tem intensificado os temores entre as adversários ao afirmar repetidamente que pretende governar a Venezuela até 2021 ou por mais tempo, propondo uma reforma constitucional que lhe permitiria ser reeleito indefinidamente.A Constituição da Venezuela, elaborada em 1999 por uma assembléia toda poderosa repleta de aliados políticos de Chávez, atualmente permite que o presidente ocupe o cargo por dois mandatos consecutivos.

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