Chávez, o exuberante, surpreende jornalistas

Hugo Chávez é uma dessas figuras - cada vez mais raras nesta geração de polidos tecnocratas da política - que que fazem o inferno e o paraíso de um jornalista. O inferno, porque é um atrasado incorrigível, porque fala pelos cotovelos, tornando as entrevistas infindáveis, e os horários de fechamento das edições, incumpríveis.O paraíso, pelos mesmos motivos: é imprevisível, informal e exuberante. Chávez não declara à imprensa: pensa alto. Nos quesitos prolixo e excêntrico, o ídolo de Chávez, o comandante Fidel Castro, não faz sombra a seu pupilo.A entrevista coletiva de segunda-feira, estava marcada para as 10h30. Começou às 13h e se estendeu por mais de três horas. ?Eu tinha um compromisso às 15h, mas vamos lá, continuem perguntando?, disse, lá pelas tantas.Chávez, ele próprio protagonista de uma sublevação fracassada em fevereiro de 1992, lastimou, com uma ponta de compaixão, a sorte de Pedro Carmona, que trocou o prestigiado cargo de presidente da Fedecámaras pelo de líder golpista por 28 horas. ?Que erro de cálculo, tchê!?, exclamou, penalizado.Pensando nos donos dos meios de comunicação, com os quais tem travado uma guerra desde que assumiu, há três anos, e que não esconderam sua alegria com o golpe, Chávez balançou a cabeça: ?Que coisa, tchê?, invocando Deus ?ao quadrado, não, ao cubo?.Quando um repórter da BBC lhe fez uma pergunta via intéprete, o tenente-coronel balbuciou duas palavras em inglês com forte acento espanhol e travou: ?Até aqui chegou meu inglês.?Uma jornalista quis saber se as marcas em seu rosto confirmavam os boatos, por ele negados, de que tinha apanhado na cadeia. Chávez tirou o paletó e perguntou se queria que ele ficasse nu para provar que estava intacto.Desceu do palco para a platéia e veio mostrar seu rosto de perto para os jornalistas, para frenesi dos cinegrafistas e fotógrafos.Ao presidente da Associação de Imprensa Estrangeira, perguntou: Você continua sendo presidente? Sobre sua 5ª República, disse que alguns estavam falando agora em ?7ª República?. E esclareceu que ?chavismo? se refere ao Chaves, personagem humorístico da TV mexicana. Digam o que quiserem de Chávez. Mas ele é divertido.Grandes Acontecimentos InternacionaisESPECIAL VENEZUELA

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