Chávez ordena investigação de cervejaria

Presidente pede que Justiça descubra se a Polar, maior produtora de alimentos do país, está escondendo mercadoria

Afp e Efe, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2010 | 00h00

CARACAS

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou ontem à promotoria pública que abra uma investigação contra a empresa de alimentos Polar, a maior companhia privada do país no setor, por estocar irregularmente alimentos e "causar danos à população". A Polar é responsável pela fabricação de uma variedade de produtos alimentícios, incluindo a cerveja mais consumida na Venezuela.

Na quinta-feira, militares venezuelanos confiscaram mais de cem toneladas de farinha de trigo, arroz e outros gêneros alimentícios da empresa. Na opinião de Chávez, a companhia poderia produzir mais alimentos em vez de cerveja, afirmando que não é necessário fabricar a bebida.

"Essa cervejaria poderia se transformar em indústria de alimentos. A cerveja não nos faz falta, só serve para nos deixar mais barrigudos, aumentar o colesterol e deixar as pessoas meio loucas", disse Chávez durante o programa dominical Alô, Presidente.

O líder venezuelano afirmou ainda que a cerveja é uma das "armas do capitalismo" para causar vícios na população. Ele criticou os funcionários que recentemente protestaram em favor da empresa. "Existem uns trabalhadores que andam defendendo a Polar. Coitados. Defendem quem explora o povo."

O presidente ainda fez um apelo para que as empresas busquem capital estrangeiro para o financiamento de obras, já que "todas os investimentos públicos não podem ficar nos ombros do Estado". "Isto é uma aliança. Se o governo tem alguma dificuldade no fluxo de recursos, é o momento em que as empresas devem buscar dólares nos bancos do mundo."

Fim dos apagões. Chávez reconheceu que alguns empresários podem estar reticentes com relação aos investimentos no país por causa da campanha de descrédito promovida por "meios de comunicação da burguesia". Ele garantiu, porém, que não há riscos, pois "a dívida externa venezuelana, se comparada com o PIB, representa apenas 20%", enquanto a de alguns países da Europa chegariam a comprometer 70%.

No programa, Chávez prometeu que os racionamentos de energia elétrica que atingem o país devem durar no máximo até agosto. Na sexta-feira, o governo começou a suspender os cortes de energia nos fins de semana e feriados.

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