Chávez pede apoio regional contra bases

Venezuelano quer envolver outros países na cobrança de explicações

Roberto Lameirinhas, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2009 | 00h00

Acusado de ter repassado à guerrilha Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) um lote de lançadores de foguetes de fabricação sueca, o governo venezuelano do presidente Hugo Chávez tenta agora envolver a comunidade internacional numa campanha para cobrar explicações de Bogotá sobre o possível uso de bases militares colombianas pelos EUA. O embaixador venezuelano em Bogotá, Gustavo Márquez, chamado de volta por Chávez na quarta-feira, afirmou que o aumento da presença militar americana na região não ameaça só a Venezuela, mas todos os países sul-americanos. Para ele, o tema deve ser levado para discussão à Organização dos Estados Americanos (OEA), e instâncias como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e o Grupo do Rio.A chancelaria venezuelana, por seu lado, emitiu um comunicado negando que o governo do presidente colombiano, Álvaro Uribe, tivesse pedido no ano passado à Venezuela uma explicação sobre as armas achadas em poder das Farc. Bogotá disse ter encaminhado discretamente um novo pedido de explicações em junho, sem, de novo, receber uma resposta."Por que não exigem de Israel ou dos EUA explicações sobre a grande quantidade de armas desses países encontrada com grupos armados colombianos", dizia a nota venezuelana, rejeitando a acusação de que tivesse enviado as armas às Farc. "A Colômbia converteu-se num país belicista que, com um governo incapaz de controlar seu território, decidiu cedê-lo em comodato para a maior potencia militar do planeta, o que se constitui numa ameaça para toda a região."CRÍTICASNa quarta-feira à noite, elevando ainda mais o tom, Chávez disse que a Colômbia tem "um governo que dá vergonha" e qualificou Uribe de "irresponsável" por acusar Caracas de ceder armas à guerrilha marxista, fortemente vinculada com atividades ligadas ao narcotráfico. "Chávez expõe mais uma vez sua estratégia de envolver a comunidade internacional na disputa com a Colômbia, questionando os acordos militares do começo do mês que devem permitir aos EUA instalar cinco bases no país", disse ao Estado o professor da Universidade Central da Venezuela (UCV) Guillermo Toro. "Usando o fantasma da presença militar dos EUA na região, ele transforma Uribe de acusador a acusado."O porta-voz do Departamento de Estado, Ian Kelly, disse ontem que a disputa diplomática entre Venezuela e Colômbia "não é um assunto dos EUA" e pediu o diálogo entre os dois países, informou a agência DPA.As bases dos EUA na Colômbia devem abrigar as atividades da Base de Manta, no Equador, que centraliza as operações de narcotráfico na região e cujo convênio para sua manutenção não foi renovado pelo presidente equatoriano, Rafael Correa.Num editorial publicado ontem, o jornal venezuelano El Nacional - que faz pesada oposição a Chávez - rasgou elogios à decisão do ministro brasileiro de Relações Exteriores, Celso Amorim, de pedir a Bogotá que explique "de forma transparente" os detalhes do acordo de cooperação militar que permitirá a instalação das bases.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.