Chávez pede que militantes não durmam na reta final de eleições na Venezuela

Presidente venezuelano liderou campanha de eleições parlamentares e pede trabalho extra nos próximos três dias.

Claudia Jardim, BBC

23 de setembro de 2010 | 21h45

O presidente da Venezuela Hugo Chávez pediu, nesta quinta-feira, que os militantes de seu partido não durmam nos próximos três dias para se dedicarem aos "últimos detalhes" da eleições legislativas deste domingo, quando os venezuelanos definirão a nova composição do Parlamento.

"Peço à todos os patrulheiros (militantes do partido), que não durmam de hoje até segunda-feira à noite. Vamos nos dedicar por inteiro para fazer os últimos ajustes (da campanha)", afirmou Chávez diante de milhares de simpatizantes no encerramento de campanha no estado de Lara.

"Que ninguém relaxe o trabalho, abandone a tarefa e venha baixar a guarda porque hoje termina a campanha (...) domingo é a grande batalha", afirmou Chávez.

As patrulhas são estruturas organizativas do partido do governo PSUV responsáveis pela mobilização durante a campanha eleitoral. A tarefa de cada patrulheiro chavista é a de garantir pelo menos dez votos a favor do governo.

De acordo com pesquisas de opinião, a base governista deverá conquistar a maioria das cadeiras do Parlamento. No entanto, o chavismo corre o risco de perder a maioria qualificada das 165 vagas em disputa, o que permitiria à oposição frear a aprovação de leis que permitam radicalizar o projeto da revolução bolivariana .

Caravanas e comícios

Para conquistar votos para sua base aliada, Chávez liderou a campanha, percorrendo o país em caravanas e comícios eleitorais.

"Dizem que eu não deveria intervir na campanha? Como é isso? Digo a vocês (opositores) que estou começando a aquecer para 2012, (...) estou esquentando os motores para 2012", afirmou Chávez, em referência à sua candidatura à reeleição presidencial em 2012.

A oposição venezuelana criticou ao longo da campanha eleitoral o uso da máquina estatal e dos meios de comunicação oficiais para promover os candidatos do PSUV e dos partidos aliados.

Chávez voltou a afirmar que no domingo está em jogo o futuro da "revolução bolivariana" e pediu que seus simpatizantes saiam para votar sob qualquer circunstância, com "chuva ou relâmpagos".

"Que ninguém deixe de votar por razão nenhuma. Chova ou caia relâmpagos, todos vamos votar por nossos candidatos, pelo PSUV e pela aliança socialista", disse.

A oposição não possui representação no Parlamento venezuelano, desde 2005, quando decidiram retirar suas candidaturas, na última hora, e optaram por não concorrer às eleições, alegando supostas irregularidades no processo eleitoral. Desde então, a Assembléia Nacional é governada por maioria governista absoluta. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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