Ariana Cubillos/AP
Ariana Cubillos/AP

Chávez pediu que não o deixassem morrer, diz chefe da guarda presidencial

General afirmou, em entrevista para a AP, que o preisidente venezuelano sofreu um ataque cardíaco

estadão.com.br,

07 de março de 2013 | 04h25

(Texto atualizado às 13h13) CARACAS - O presidente venezuelano Hugo Chávez pediu que não o deixassem morrer e horas antes de sofrer um ataque cardíaco fulminante, disse o chefe da Guarda presidencial da Venezuela, em entrevista para a Associated Press (AP) na quarta-feira.

"Ele não podia falar, mas disse com os seus lábios...´Eu não quero morrer. Por favor, não me deixe morrer´, porque ele amava seu país, se sacrificou pelo seu país", afirmou o general José Ornella, acrescentando que o presidente sofreu bastante antes de falecer.

A declaração pode ser inserida no contexto de mistério que sempre esteve presente no que se referia à doença do presidente. As autoridades venezuelanas nunca disseram que tipo de câncer Chávez teve ou especificaram exatamente de onde os tumores foram removidos.

Além disso, desde que foi diagnosticado com câncer, a figura política de Chávez como mito passou a se fortalecer. Dezenas de missas, cultos, rituais eram realizados diariamente em nome da recuperação da saúde do presidente.

Segundo o historiador britânico Richard Gott, especialista em América Latina, autor do livro À Sombra do Libertador - Hugo Chávez Frias e a transformação da Venezuela, em entrevista à BBC Brasil, Chávez "é um dos personagens mais importantes e significativos dos últimos cinquenta anos. Há poucos com seu calibre. No contexto latino-americano, é o mais interessante desde Fidel Castro." 

O general Ornella disse ter passado os últimos dois anos com Chávez, incluindo seus momentos finais, quando o líder bolivariano lutou contra um câncer não especificado na região pélvica. Ornella conversou com a AP do lado de fora da academia militar onde o corpo de Chávez está sendo velado. Ele disse que o câncer do presidente era muito avançado quando a morte ocorreu, mas não deu mais detalhes.

Ornella não respondeu quando perguntado se o câncer havia se espalhado para os pulmões de Chávez. O governo disse na véspera da morte do bolivariano que ele sofria uma nova infecção respiratória grave.

Foi a segunda infecção respiratória relatada pelas autoridades depois que Chávez foi submetido a sua quarta cirurgia de câncer em Cuba, no dia 11 de dezembro. De acordo com Ornella, Chávez teria dito, antes de viajar a Havana, que "há pouca esperança de sair bem desta cirurgia."

Com informações da AP

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