Chávez piora e Caracas cancela festa de réveillon

O Prefeitura de Caracas cancelou nesta segunda-feira a festa de ano-novo, que aconteceria à noite na praça Bolívar, e encorajou "cada família a receber 2013 com uma prece na fé e esperança de recuperação da saúde do presidente Hugo Chávez". O presidente venezuelano, de 58 anos, está internado em um hospital em Havana, onde no dia 11 foi submetido à quarta cirurgia contra o câncer, e sua situação de saúde piorou, disse na noite de domingo o vice-presidente Nicolás Maduro.

ANDRÉ LACHINI, Agência Estado

31 de dezembro de 2012 | 17h41

"Passados 19 dias da cirurgia complexa, o estado de saúde do presidente Chávez continua sendo delicado, apresentando complicações que são atendidas em um processo não isento de riscos", disse Maduro. Jornalistas e funcionários venezuelanos informaram que após a cirurgia do dia 11 de dezembro Chávez sofreu uma hemorragia e mais tarde teve problemas respiratórios. Na sexta-feira passada, Maduro viajou a Havana, passando antes os poderes da vice-presidência ao ministro da Energia, Hector Navarro.

Maduro apareceu no comunicado na televisão estatal junto à irmã mais velha de Chávez, Rosa Virginia Chávez, do ministro da Ciência, Jorge Arreaza, e da advogada geral Cilia Flores. Maduro disse que todos visitaram Chávez, que conversou com eles sobre seus problemas de saúde. Maduro afirmou que permaneceria em Havana "nas próximas horas" para ver com o quadro de saúde do presidente evolui. Maduro disse no pronunciamento que Chávez permanece em uma "situação difícil", mas não entrou em detalhes.

Chávez deveria tomar posse no próximo dia 10, mas essa possibilidade agora parece improvável e remota para vários analistas políticos. O bolivariano sofre de câncer desde meados de 2011. O analista político venezuelano Ricardo Sucre Heredia disse que a mais recente mensagem de Maduro, os gestos do corpo do vice-presidente e suas expressões "indicam que a situação de saúde de Chávez não evoluiu como era esperado. Ou ela se estabilizou ou se agravou. Temo que tenha se agravado", disse.

Heredia disse que "é pouco provável" que Chávez viaje de Havana a Caracas para a posse no dia 10. "Terá que ser tomada uma decisão: ou ausência temporária ou ausência absoluta do presidente. Pelo discurso de Maduro, temo que o cenário vá em direção a uma ausência absoluta", afirmou.

Se Chávez não puder assumir o cargo, novas eleições deverão ser convocadas em 30 dias. Embora o presidente da Assembleia Nacional, o deputado Diosdado Cabello (governista) tenha sugerido na semana passada que a posse seja adiada, era proposta foi rechaçada pela oposição.

"Estamos muito incertos sobre o futuro, porque não sabemos o que Cabello e Maduro farão. O mais certo é que sejam feitas novas eleições", disse o comerciante César Amaro, em Caracas.

As informações são da Dow Jones.

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