Chávez pode ceder à Bolívia candidatura ao CS da ONU

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, poderá ceder à Bolívia a candidatura de seu país ao Conselho de Segurança (CS) da ONU caso a Venezuela não consiga conquistar os votos necessários para derrotar a Guatemala, disse nesta terça-feira o presidente boliviano, Evo Morales.O líder boliviano - um aliado muito próximo de Chávez - levantou a possibilidade durante um discurso na cidade de El Alto. Ainda assim, em Caracas, o ministro de Exteriores venezuelano, Nicolas Maduro, disse que a Venezuela continuará seus esforços para conquistar uma cadeira rotativa na mais alta cúpula de tomada de decisões da ONU.Em entrevista à agência de notícias Reuters, o embaixador da Venezuela na ONU, Francisco Arias Cardenas, explicou que a hipótese levantada por Morales é apenas uma das possíveis soluções para o impasse. "Há várias opções. Uma delas é a apresentada pelo presidente Evo Morales. Provavelmente haverá outras soluções", disse ele.A disputa entre Venezuela e Guatemala - esta apoiada pelos Estados Unidos - está travada desde o início das votações para a escolha dos novos membros rotativos do Conselho de Segurança da ONU. O 36º round da votação está marcado para esta quarta-feira, e alguns países da região - do Brasil à Guiana - já expressaram a esperança de que uma candidatura alternativa obtenha o consenso que Venezuela e Guatemala não conseguiram. Até o momento, o país centro-americano liderou 34 das 35 rodadas de votação. Na semana passada, uma das tentativas resultou em um empate entre os dois países.Em declarações nesta terça-feira, Morales informou ter tido uma conversa telefônica com seu colega venezuelano, que teria dito que "proporia a Bolívia como candidato" caso a Venezuela não obtenha os dois terços dos votos necessários para assumir a cadeira.Maduro, por sua vez, disse que a Venezuela tem o "direito soberano e legítimo" de manter sua candidatura. Ele informou que o país só aceitará discussões sobre um candidato de consenso caso a Guatemala desista da disputa e os Estados Unidos não interfiram. O ministro anunciou também que viajará para Nova York para liderar a delegação venezuelana durante as votações desta quarta-feira.

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