Chávez põe multidão nas ruas para acompanhar registro de candidatura

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, inscreveu ontem no Conselho Nacional Eleitoral sua candidatura para a eleição de 7 de outubro. Milhares de venezuelanos se reuniram em Caracas para acompanhar o primeiro ato de campanha oficial do líder bolivariano. Desde a retirada de um segundo tumor pélvico, em fevereiro, Chávez vinha evitando aparições públicas por recomendações médicas.

CARACAS, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2012 | 03h02

Após ter se inscrito no CNE, Chávez participou de um comício. Animado, cantou para seus simpatizantes e deu um aviso: "Se posso cantar, posso governar. E se posso governar, posso fazer campanha." A multidão respondeu com gritos de "Uh! Ah! Chávez, não se vá". O bolivariano disse estar "esquentando os motores", mas se emocionou ao lembrar da batalha contra o câncer. "Obrigado, senhor Jesus. Foi um ano difícil", disse. Ele também se comprometeu a respeitar o resultado da eleição.

O presidente saiu sobre um caminhão do Palácio de Miraflores até a sede do CNE, acompanhado de assessores e simpatizantes. Vestido com sua tradicional boina vermelha e um agasalho com as cores da bandeira venezuelana. A maioria dos manifestantes concentrou-se na Praça Caracas. Um mar de bandeiras venezuelanas e cartazes com a frase "Vamos com tudo por amor a Chávez" cobriu a praça e os arredores do CNE. Caixas de som com músicas populares animavam os manifestantes, que esperavam Chávez munidos de apitos e cornetas.

A campanha eleitoral começa oficialmente no dia 1.º, mas a inscrição da candidatura é considerada o primeiro grande evento da disputa. Tradicionalmente, os candidatos organizam grandes atos para celebrá-la. No domingo, fora a vez do opositor Henrique Capriles, da Mesa de Unidade Democrática (MUD), formalizar sua chapa no CNE.

Segundo assessores de Chávez, ele repousou nas últimas semanas e estava descansado para a marcha. "Ele se preparou para isso", disse uma fonte do governo à Reuters. "Está se recuperando. A campanha vai mostrar isso."

Segundo a oposição, o governo deu ponto facultativo ao funcionalismo público para estimular o comparecimento ao lançamento da campanha. No final da tarde, as estações do metrô de Caracas estavam lotadas por simpatizantes do chavismo.

Para Aristóbulo Istúriz, um dos chefes de campanha de Chávez, o lançamento da campanha é uma demonstração de força do chavismo. "A espontaneidade com a qual o povo saiu às ruas equivale ao que ocorreu no 13 de abril de 2002", disse, em referência ao golpe de Estado frustrado contra o presidente.

"Meu trabalho hoje é apoiar o presidente. Vamos mostrar ao 'majunche' (gíria para 'medíocre', como os chavistas chamam Capriles) que estamos aqui para ficar", disse o comerciante Sebastián García, de 35 anos, de vermelho e com uma bandeira do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV). Dirigentes chavistas organizaram nas principais cidades venezuelanas atos de apoio ao presidente.

Recuperação. No sábado, Chávez dissera estar "absolutamente bem" após passar por um extenso tratamento radioterápico em Cuba. Segundo ele, os exames médicos mais recentes apresentaram bons resultados.

Desde junho do ano passado, o presidente venezuelano luta contra o câncer. A natureza do tumor maligno não foi divulgada, mas se especula que Chávez sofra de um rabdomiossarcoma, um tipo raro de câncer muscular.

Segundo levantamento do diário El Universal, o presidente esteve 12 vezes em Cuba para receber tratamento médico no último ano. No total, foram 114 dias em tratamento médico, 108 deles em Havana. O líder bolivariano passou por três cirurgias, três ciclos de quimioterapia e seis de radioterapia.

No domingo, o rival de Chávez, Capriles, inscreveu sua candidatura após uma grande passeata de 10 quilômetros nas ruas de Caracas, que, segundo a MUD, reuniu centenas de milhares de pessoas. Na ocasião, o antichavista pediu aos venezuelanos que não escolham entre dois homens, mas, sim, entre dois modelos de vida. / AP, EFE E REUTERS

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