Chávez propõe "sistema monetário comunitário"

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, defendeu na quinta-feira, 29, um sistema monetário paralelo à moeda nacional - o bolívar - que circulará unicamente nas regiões mais pobres do país. Criada com o objetivo de facilitar o comércio de produtos populares, a medida entrará em vigor ainda este ano.Chávez pediu que o ministro da Economia Popular, Pedro Morejón, "marque uma data" para estabelecer o "sistema de comércio alternativo", durante seu programa de rádio e televisão "Alô, Presidente".Para aprovar a medida, o presidente poderá assinar um decreto presidencial, aproveitando os poderes especiais conferidos a ele pela Assembléia Nacional, inteiramente formada por aliados do governo.Segundo o presidente, o sistema alternativo comercial "servirá para abrir aos pobres a possibilidade de adquirir produtos pelo intercâmbio, com uma moeda intermediária que possa circular, por exemplo, num âmbito territorial determinado ou válida por um tempo determinado", disse Chávez.Ele ressaltou que "no norte do Brasil, e em algumas localidades do México, funciona um sistema baseado na moeda comunitária". "São moedas que produzimos e damos um nome e um regulamento, e que tem valor para algumas coisas, em alguns lugares, por tempo determinado", disse."Isto pode melhorar a vida dos mais pobres, e sobretudo para construir um novo sistema social, econômico e político", acrescentou Chávez, que iniciou seu novo mandato, no começo do ano, determinado a implantar o socialismo na Venezuela. Esta é a segunda reforma monetária anunciada pelo presidente desde sua pose, em 15 de janeiro. A primeira foi a eliminação de três zeros do bolívar, medida que entrará em a partir de 2008 e que tem por objetivo conter a forte inflação que castiga o país. Depósitos bancáriosAinda durante o programa de rádio, o presidente anunciou que ordenou a transferência de todos os ativos do Fundo de Garantia de Depósitos e Proteção Bancária da Venezuela (Fogade, na sigla em espanhol) para "os pobres". A medida deve afetar principalmente a autonomia das instituições financeiras do país. Segundo Chávez, o Fogade "possui muitos terrenos" e "tudo isso eu darei ao povo, aos pobres". Em seguida, pediu aos responsáveis pelo fundo que façam uma revisão dos ativos porque a lista é "bastante grande"."O Fogade terá que desaparecer", sublinhou Chávez, que adiantou que "pouco a pouco" o governo compensará os bens retirados do fundo. O presidente garantiu que os depósitos seguirão resguardados, mas não mencionou como. Instituição autônomaO Fogade é parte da estrutura do Ministério das Finanças, mas sempre foi uma instituição autônoma. A decisão de eliminá-lo é mais uma medida atípica anunciada por Chávez que afeta a autonomia de instituições financeiras, que tradicionalmente têm a missão de manter a estabilidade econômica do país.Recentemente, Chávez desviou bilhões de dólares das reservas internacionais do Banco Central venezuelano para financiar um fundo estatal de desenvolvimento, com o objetivo de garantir programas sociais do governo. As reservas são essências para a sustentação da moeda nacional, atualmente em galopante desvalorização.Texto ampliado às 20h07

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