Chávez protesta contra Uribe

Envio de soldados dos EUA à Colômbia irrita Caracas

AP e EFE, CARACAS, O Estadao de S.Paulo

22 de julho de 2009 | 00h00

Preocupado com o aumento da presença militar americana na Colômbia, o presidente venezuelano, Hugo Chávez, anunciou ontem que as relações entre Caracas e Bogotá serão submetidas a uma "revisão".Chávez lamentou que o presidente colombiano, Álvaro Uribe, esteja negociando com Washington o aumento da presença militar americana em pelo menos três bases da Colômbia: Malambo, Palanquero e Apiay."Daqui a pouco começarão a chegar milhares de soldados ianques na Colômbia, além dos que já existem. Soldados e estes agentes privados que não são mais que mercenários paramilitares e assassinos. (Também virão) aviões, radares, armamento sofisticado, bombas", disse Chávez. "Aqui, estamos prontos para morrer", desafiou. "Deus nos livre de uma guerra. Deus nos livre, mas isso não depende de nós."O líder venezuelano classificou o possível acordo entre Washington e Bogotá como um "quadro de agressão não apenas contra a Venezuela, mas também contra outros países". Colômbia e Venezuela compartem uma fronteira de mais de 2 mil km. "(Estão) abrindo as portas a quem nos agride", acusou.O convênio discutido entre Washington e Bogotá prevê que os militares americanos usem as bases colombianas por um período de dez anos. O aumento do número de soldados dos EUA nessas bases também está previsto no texto, além de um plano de investimento que poderia chegar a US$ 5 bilhões até 2019.Bogotá diz que a presença militar americana está limitada ao combate às drogas e ao terrorismo e promete que as operações não serão estendidas ao território de nenhum país vizinho. O governo colombiano pediu ontem à Venezuela e outros países da América Latina que criticaram o acordo com os EUA que não interfiram em seus assuntos internos.DOAÇÃO DAS FARCChávez atacou também a divulgação de um vídeo na semana passada no qual um dos líderes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), Jorge Briceño, se refere a uma doação em dinheiro que teria sido feita pelo grupo em 2006 à campanha do presidente equatoriano, Rafael Correa, aliado de Chávez. Ontem, Chávez qualificou o vídeo de "grande falsidade" .

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