Chávez quer adotar controle de preços

Além do controle cambial, cujo esquema deve ser anunciado nesta quarta-feira, o governo venezuelano deve determinar também o controle de preços. O primeiro, para evitar que as reservas internacionais do país (US$ 11 bilhões) derretam. Apenas em janeiro, as perdas superam os US$ 700 milhões. O segundo, para tentar controlar a crise econômica que o país enfrenta. Somado a isso, o presidente Hugo Chávez estuda aplicar um imposto a todas as transações "especulativas", o chamado imposto Tobin, em alusão ao Prêmio Nobel de Economia James Tobin, que criou esse imposto como uma forma de desestimular movimentos especulativos de divisas e estabilizar os tipos de câmbio. "O controle cambial, em qualquer lugar do mundo, sempre é um complicador, mas a Venezuela não tinha outra saída. A velocidade com que o país vinha perdendo suas reservas internacionais obrigou o governo a tomar essa medida", disse à Agência Estado um empresário que pediu para não ser identificado. Desde a paralisação da Petróleos de Venezuela (PDVSA), o BCV teria perdido reservas internacionais na média de US$ 28,7 milhões por dia. Alimentos e remédiosChávez quer também criar um sistema nacional de distribuição de alimentos e medicamentos. Todas essas medidas, de acordo com o governo venezuelano, têm o objetivo de brecar a perda de reservas do Banco Central de Venezuela, que poderiam desaparecer em apenas 20 dias. De acordo com o presidente Hugo Chávez, a Venezuela deixou de captar pelo menos US$ 3 bilhões em receita no período da greve, que já dura quase 60 dias. "O que a Venezuela precisa agora é que todo mundo se ponha a trabalhar. Não vai adiantar vencer eleições ou referendo revogatório, caso um dos dois seja antecipado, e assumir um país quase destruído, que, hoje, não dá condições de ser governada", comentou o empresário, que esteve recentemente com o presidente Chávez no Palácio Miraflores, sede do governo. Economistas estimam, por exemplo, que o Produto Interno Bruto (PIB) venezuelano deve encolher este ano pelo menos 25% e a inflação não deverá ficar abaixo de 60%. Pior, o desemprego deverá superar a taxa estratosférica dos 30%. "O desemprego, somado à queda salarial real, provocada pela brutal desvalorização do bolívar e pela alta do custo de vida, deverá gerar mais pobreza no país, com riscos de explosão social sem precedentes", alertam alguns analistas. Duas taxas de câmbioEmbora o Banco Central de Venezuela tenha informado que ainda não definiu qual ou como será o esquema que será implementado para exercer o controle cambial do país, alguns economistas consultados pela imprensa venezuelana arriscam afirmar que uma das alternativas pode ser uma taxa de câmbio preferencial para os importadores de insumos básicos e outra para o restante das atividades. O esquema duplo incluiria um tipo de câmbio fixo entre 1.700 e 1.900 bolívares por dólar para as importações básicas e um dólar livre, mantendo o sistema de leilões ou de venda da divisa, mas com um imposto sobre essas transações. Essa taxa poderia ser de 10%, ampliando a receita ao Tesouro venezuelano. Outra possibilidade que também vem sendo baralhada pelos economistas consistiria em um tipo de câmbio único, centralizando completamente a oferta de moeda estrangeira, com ocorreu ao final de 1994 e se estendeu até 1997. Naquele período, pessoas que viajavam, por exemplo, eram obrigadas a mostrar a passagem e, com isso, recebiam um limite máximo de US$ 4 mil. Já os importadores tinham de mostrar toda a documentação da operação para receberem os dólares necessários.A centralização do câmbio, no entanto, pode provocar uma disparada do dólar, a exemplo do que ocorreu ao final de 1994. Depois de uma dura intervenção bancária naquele ano, o governo também havia decidido centralizar as operações de câmbio. Ocorre que, entre 1995 e 1997, o dólar passou de aproximadamente 150 bolívares para mais de 500 bolívares, gerando ainda um mercado paralelo. Hoje, o risco é o mesmo, mas ninguém sabe até quanto a taxa de câmbio poderia subir. Alguns analistas acreditam que o dólar no mercado paralelo pode disparar para 3.500 bolívares ou 4.000 bolívares. Antes da greve, no início de dezembro do ano passado, o dólar estava no patamar de 1.250 bolívares.

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