Juan Barreto/Afp
Juan Barreto/Afp

Chávez quer de volta 211 mil quilos de ouro

Ideia é depositar também bilhões de dólares de reservas em bancos russos, chineses e brasileiros

Ap e Reuters, O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2011 | 00h00

A Venezuela quer transferir US$ 6,3 bilhões de dólares em reservas mantidas no exterior para bancos de Rússia, China e Brasil. Caracas também estuda repatriar da Europa 211 toneladas de ouro - avaliadas em US$ 11 bilhões - para os cofres do Banco Central venezuelano, onde o governo já mantém 154 toneladas do metal. As informações constam de documentos recebidos pela oposição das mãos de funcionários do Ministério das Finanças, que estariam preocupados com a transação.

A notícia pegou de surpresa vários analistas, que tentam entender as razões da medida. Para muitos, a decisão não faz sentido do ponto de vista financeiro, já que Caracas estaria tirando o dinheiro de países seguros para colocá-lo em locais de risco e em moedas como yuan, rublo e real.

Uma possível razão para a transferência seria o medo da Venezuela de ser obrigada a pagar indenização a empresas estrangeiras que foram à Justiça para recuperar perdas sofridas com estatizações. Tamara Herrera, economista da consultoria Síntesis Financiera, calcula que o país pode receber de tribunais arbitrais internacionais uma conta de até US$ 40 bilhões.

Um outro documento elaborado pelo chanceler Nicolás Maduro afirma que a transferência seria para "proteger" as reservas venezuelanas da crise americana e do "impacto da desvalorização do dólar". Mas o texto de Maduro deu margem a outras interpretações, pois citou a Líbia, cujas reservas teriam sido "pilhadas" pelas "potências do Norte". Para opositores, a menção sugere que o presidente Hugo Chávez poderia cancelar as eleições, endurecer o regime e estaria se precavendo contra eventuais sanções internacionais.

Saúde. Chávez disse que o câncer que está combatendo não se alastrou, mas reconheceu que a quimioterapia a que vem se submetendo o deixa enfraquecido. "Não houve metástase. Não foi detectado câncer em nenhum outro lugar do corpo."

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