Chávez quer indicar diretor de TV crítica

O presidente venezuelano, Hugo Chávez, disse ontem que seus aliados têm o direito de indicar pelo menos um dos membros do conselho diretor da TV Globovisión, a única crítica a sua gestão que ainda transmite para todas as grandes cidades na Venezuela. Segundo Chávez, seu governo também pode tomar o controle de até 45,8% da emissora.

Efe e Reuters, O Estado de S.Paulo

21 de julho de 2010 | 00h00

 

Pelos cálculos do presidente venezuelano, 25,8% das ações da emissora pertencem ao Banco Federal, do empresário Nelson Mezerhane, que sofreu intervenção do governo em junho por causa de problemas de liquidez.

 

"A junta interventora do Banco Federal agora é obrigada a designar um representante na junta diretora da Globovisión - não é que queira ou não queira. Agora temos25,8% das ações e isso nos dá direito a um representante no corpo diretor (da emissora)", afirmou.

 

Chávez sugeriu dois nomes para integrarem a direção da Globovisión: Mario Silva e Alberto Nolia.Silva é apresentador do programa La Hojilla (A Lâmina), na TV estatal, no qual se dedica a contestar a mídia não-alinhada com Chávez. Nolia apresentou até 2009, Los Papeles de Mandinga (Os Papéis de Mandinga), com a mesma proposta. "Não é meu papel nomeá-los, mas posso recomendar", afirmou o presidente.

 

Segundo o líder venezuelano, além dos 25,8% das ações da Globovisión que pertenceriam ao Banco Federal, o governo também poderia se apropriar da participação de 20% de "um senhor chamado Tenório, que, infelizmente, faleceu".

 

"Junte os 25,8%, mais 20%e dá 45,8% da Globovisión", afirmou Chávez, em um discurso na TV. "Não estamos expropriando (a emissora), mas nos incorporando ao negócio."

 

Em um comunicado, a Globovisión afirmou que Mezerhane, por meio do banco, tem apenas 20% da empresa e - segundo seu estatuto - os acionistas não têm direito de designar membros do conselho-diretor individualmente. "Eles são designados pela assembleia de acionistas, como voto de mais de 55% do capital social", explica o texto.

 

O presidente venezuelano vem ameaçando tomar o controle da Globovisión há pelo menos três anos. O maior acionista da emissora, Guillermo Zuloaga,teve de fugir do país em junho, após um tribunal decretar sua prisão por estocar veículos para especulação (ele também é dono de uma concessionária). Em 2007, Chávez recusou-se a renovar a concessão de outra emissora crítica a seu governo, a RCTV.

 

Mergulhado em uma disputa com a Igreja Católica, o presidente venezuelano também pediu ontem ao ministro do Interior, Tarek El-Aissami, que revise a concessão da Vale TV, outorgada ao Arcebispado de Caracas.

 

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